Começa nesta terça-feira (27), no Tribunal do Júri de Curitiba, o julgamento do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho. Em maio de 2009 ele se envolveu em um acidente que causou a morte dos jovens Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida. Mesmo depois de quase nove anos o caso jamais foi esquecido pelos curitibanos, tanto pela comoção popular gerada à época, quanto pelas inúmeras polêmicas e recursos que fizeram parte de todo o trâmite jurídico. O ex-deputado vai ser julgado por duplo homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar) e o júri está programado para durar até a quarta-feira (28).

A principal dúvida, neste caso, é se ele pode ir ou não para a cadeia logo depois da decisão da Justiça. No júri popular que ex-deputado vai ser submetido, cabe aos jurados escolhidos em meio ao povo e por sorteio eletrônico decidirem se o réu é culpado ou inocente. Cabe ao juiz estipular o “tamanho” da pena.

Em caso de condenação, essa vai ser em primeira instância, até existe a possibilidade de que Carli Filho seja preso após a sentença, mas é praticamente remota. Após a decisão da condenação, pode ser que haja um pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR) para que o ex-deputado seja detido e aguarde, preso, a resposta do recurso que sua defesa vai fazer, mas este não tem sido o método utilizado pelo juiz Daniel Avellar, responsável pelo julgamento, que tem optado que o réu espere em liberdade.

Os advogados de Carli Filho devem recorrer para o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), depois, podem entrar com recurso para o juizado especial, através do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em último caso, a defesa pode pedir recurso extraordinário através do Supremo Tribunal Federal (STF) e só assim, se houver decisão pela condenação também, é que Carli Filho pode ser preso.

Velocidade e bebida

Para Marcelo Balzer, o promotor que assinou a denúncia, o que aconteceu não foi um acidente. “Para uma pessoa andar a mais de 160 km/h dentro da cidade, tem que ter uma justificativa plausível e não há justificativa. Ele não ia salvar ninguém, pelo contrário, ele foi matar”, disse, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo.

Além da alta velocidade, Carli Filho tinha bebido antes de assumir o volante. Isso, inclusive, foi admitido pelo próprio ex-deputado, no único depoimento que deu a Justiça. O ex-parlamentar nunca deu entrevista, mas divulgou, em 2016, um vídeo que pedia desculpas e demonstrava arrependimento, confirmando que havia bebido e assumido o volante.

Um exame de alcoolemia, feito pela Polícia Científica, apontou que o ex-deputado estava com 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue: quase quatro vezes do que tolerado por lei. A prova foi suprimida dos autos porque a defesa de Carli Filho apontou que a amostra de sangue do réu foi colhida enquanto ele estava desacordado. Mesmo assim, essa questão deve ser abordada no júri. Além de o ex-deputado ter confessado, há testemunhas que afirmam tê-lo visto bebendo antes do acidente.

Imagens

Outro ponto que ainda se mostra obscuro no caso foi o fato de o carro de Carli Filho não ter sido captado por radares ou câmeras de segurança da Rua Ivo Zanlorenzi. A família Yared chegou a pedir à Urbs uma perícia nos radares o que nunca foi feito.

Sistemas de segurança de condomínios e de alguns pontos comerciais da rua não gravaram a passagem do carro de Carli Filho. Além disso, o que deu início a um mistério no caso, imagens de uma câmera do um posto de gasolina, que fica na esquina do cruzamento e que estava focada na Ivo Zanlorenzi, foram adulteradas, segundo uma perícia contratada pela família de uma das vítimas. Esse contexto fomentou, ao longo desses anos, boatos ou “lendas urbanas”, segundo os quais Carli Filho participava de um racha. A expectativa é de que o assunto referente às câmeras volte à tona, em momentos de maior emoção no julgamento.

Mãe não esquece