Apesar da polícia não confirmar a existência de uma lista de agentes penitenciários marcados pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) para morrer, o assassinato do agente Vilmar Antônio Prestes da Silva, 47 anos, na garagem de casa, no início da noite de ontem, só aumenta o terror entre os funcionários do sistema prisional do Paraná. Ele é o terceiro agente morto a tiros em Curitiba neste ano, alem de outros dois que foram baleados, mas sobreviveram. Além destas mortes fora de presídios, outras quatro, envolvendo presos de penitenciárias, estão sendo investigadas e estariam relacionadas à lista da facção.

Vilmar entrava na residência, na esquina das ruas Francisco das Chagas Lopes e Delegado Miguel Zacarias, no Boa Vista, por volta das 5h20, junto com um dos filhos, quando um Space Fox prata, placa ASC-7552, que já estava seguindo o agente desde que havia deixado um mercado, estacionou em frente.

Os dois assassinos desceram e um terceiro indivíduo ficou no carro. Um Gol branco estava atrás, dando cobertura. Vilmar foi alcançado antes de conseguir fechar o portão de metal da garagem e teria levantado as mãos se rendendo. Mesmo assim, foi alvejado diversas vezes com tiros de pistola calibre 40 e nove milímetros. O filho dele conseguiu correr e entrar em casa por outro portão, saindo ileso. Rapidamente os bandidos fugiram e mesmo com várias viaturas da Polícia Militar patrulhando o bairro, ninguém foi detido.

Segundo amigos da família, Vilmar trabalhava como agente penitenciário há pelo menos 20 anos. Entretanto, nos últimos dias, foi ameaçado de morte e teria começado a ficar preocupado com a própria segurança. “Ele era uma pessoa tranquila e um bom pai. Só pode ter sido morto por causa da profissão”, disse uma mulher ligada à família, que preferiu se manter anônima. O agente era casado e tinha quatro filhos, três dos quais moravam com ele. Ele estava trabalhando na PEP II (Penitenciária Estadual de Piraquara), onde há presença de presos ligados ao PCC, como foi denunciado pelo Paraná Online na última sexta-feira.

Para o delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Homicídios, o crime pode estar ligado ao trabalho de Vilmar. “Ainda é cedo para fazer qualquer afirmação, porém existe essa possibilidade”, disse o delegado. Ele negou a existência da “lista negra”.

No local do crime, além da presença de praxe – porém em número fora do normal – de viaturas da PM, da DH e do Cope (Centro de Operações Policiais Especiais), também havia carros das secretarias de Estado de Segurança Pública e de Justiça, além de um veículo descaracterizado, usado somente pelo alto escalão do governo, o que só faz aumentar a suspeita de ataques comandados pelo PCC.

Marionetes do PCC

Matéria publicada pelo Paraná Online, na semana passada, denunciou que os funcionários do sistema penitenciário são “marionetes” de detentos do PCC, que manda e desmnada dentro dos presídios, principalmente depois que o Governo unificou o comando da fação na PEP I e fortaleceu o grupo. Além das mortes e atentados contra os agentes, os detentos estariam por trás, inclusive, de duas mortes de presidiários ocorridas recentemente na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEPI). Não se descarta que outras duas mortes ocorridas na Colônia Penal Agro Industrial (CPAI), tidas como suicídio, também se tratem de homicídios ordenados pelo PCC, nas quais os assassinos fizeram parecer suicídio.

Além do assasinado de Valmir, ontem à noite, o agente de monitoramento da CPAI, Valdeci Gonçalves da Silva, 35, foi morto a tiros, em Curitiba. A Delegacia de Homicídios segue investigando o caso.

Informações extraoficiais davam contam que Valdeci vinha sendo ameaçado de morte depois de ter aprendido droga com um dos presos da CPAI. O diretor da CPAI, Ismael Salgueiro Meira, porém, disse ontem que o caso não tem relação com a profiss&at,ilde;o de Valdeci. “Ele estava aqui há apenas três meses. Todo agente que trabalha aqui já encontrou droga com preso, mas não por isso vivem sendo ameaçados”, justificou.

23 presos se rebelam e fogem da Colônia Penal

Vinte e três presos fugiram, no início tarde de domingo, da Colônia Penal Agroindustrial (CPAI), unidade de regime semiaberto que abriga 1.450 criminosos, em Piraquara. A confusão começou depois que agentes penitenciários encontraram celulares e maconha com cinco presos.

De acordo com a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), o grupo foi recolhido para uma ala reservada, chamada “ala de precaução”, e seria encaminhado até o conselho disciplinar da unidade. Nesse ínterim, 18 presos renderam e amarraram os dois agentes que tomavam conta daqueles que “estavam de castigo” e permitiram a fuga de todos. Depois de arrebentar o cadeado do portão, todos escaparam. Até a tarde de ontem, nenhum preso havia sido recapturado.

Durante a contagem de presos, os agentes deram falta de 36. O diretor da CPAI, Ismael Salgueiro Meira, esclareceu que os outros 13 não participaram da fuga e são presos que deixaram a unidade e não retornaram. Ele confirmou que nenhum agente ficou ferido fisicamente no tumulto. Ontem, um funcionário da CPAI, que não quis se identificar, disse ao Paraná Online que um dos agentes teve a orelha cortada.

Meira também negou que boa parte dos que fugiram fazem parte do PCC. “Esses presos que escaparam são novos, descabeçados. Tanto que os mais antigos não concordaram com a atitude, já que a fuga aconteceu justamente no dia de visita. Isso foi um fato isolado”, esclareceu o diretor.

Evasão

A CPAI é uma unidade de regime semiaberto. A maioria dos presos trabalha na própria unidade durante o dia e segue para as celas à noite e há quem saia para trabalhar em empresas da região, sempre acompanhados de agentes.

Cerca de 600 presos saem para trabalhar e retornam à unidade todos os dias.

Corolla queimado usado na morte

Lineu Filho

A Delegacia de Homicídios acredita que um Toyota Corolla prata, incendiado na madrugada de quinta-feira, foi usado pelos marginais que mataram o agente de monitoramento Valdeci Gonçalves da Silva, 35, assassinado em casa na noite de quarta-feira da semana passada, no Jardim Gabineto, Cidade Industrial de Curitiba.

O delegado Rubens Recalcatti, titular da DH, informou que o dono do carro foi ouvido e disse que foi roubado por dois homens quando chegava em casa no Jardim das Américas. Os marginais estavam num Fox prata, mesmo carro visto no assassinato do agente Vilmar Antônio Prestes da Silva, ontem à noite, no Boa Vista. O Corolla, incendiado no Tatuquara logo após o crime, foi encontrado na manhã de sexta-feira na Rua João Amadeu Pedro Bom. Por enquanto, ninguém foi preso.