A prefeitura de Curitiba deu nesta terça-feira (25) mais esclarecimentos da decisão de adotar medidas mais restritivas no último decreto, em especial o aumento de uma hora no toque de recolher, o fechamento de supermercados no final de semana e a permissão de delivery de comida no horário máximo de até 21h. Segundo a secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak, as medidas foram tomadas não só para conter a transmissão da Covid-19, mas também para desafogar casos de traumas, como ocorrência de trânsito, acidentes em geral e violência.

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Atendimentos de traumas também têm alta demanda por internamento em UTI, cujas unidades já estão lotadas para o tratamento de Covid-19, com 96% de ocupação. “Nosso objetivo do último fim de semana não era a só a Covid. Recebi de todos os diretores de prontos-socorros pedidos desesperados por estarem lotados de gente quebrada, gente que se acidenta, que briga, de violência. E não víamos saída nesse momento a não ser pôr as pessoas em casa. Tínhamos um cenário no dia 18 desalentador”, enfatizou a secretaria de saúde nas 4h30 que prestou esclarecimentos sobre a pandemia aos vereadores em sessão remota da Câmara Municipal nesta terça, antes da reunião desta tarde que vai definir se Curitiba retorna à bandeira vermelha, com lockdown.

“A gente precisava segurar as pessoas em casa. Tanto que pelo menos amanhecemos segunda-feira com nossos pronto-socorros livres. Senão a gente tinha um grande colapso não por Covid, mas por acidentes, traumas”, concluiu Márcia.

Só no Hospital do Trabalhador, referência no atendimento de acidentes, Márcia afirma que pouco antes de as medidas serem tomadas havia sete pacientes com politraumatismo, incluindo fratura de fêmur, sem ter onde internar. “Não tinha leito de UTI e nem como operar esses pacientes”, enfatiza.

A secretária de Saúde enfatizou que 65% do atendimento de traumas em toda a região metropolitana acabam sendo atendidos por hospitais de Curitiba. “Por isso temos apelado para a região metropolitana que nos ajude. Porque quem quebra a perna lá em Colombo vem para tratamento aqui no Hospital Cajuru, no Evangélico no Hospital do Trabalhador. Quem é atropelado em Pinhais vem para cá, mesma coisa de Bocaiúva do Sul, Fazenda Rio Grande. Estamos muito sobrecarregados com tratamento de trauma. Então a nossa bandeira não olha só Covid”, enfatizou.

Supermercados e delivery

Sobre o fechamento dos supermercados e do comércio geral no último sábado e domingo e o horário máximo de delivery até as 21h, a Secretaria Municipal de Saúde explica que ambas as decisões foram tomadas levando em conta o menor impacto no setor econômico.

O diretor de Urgências e Emergências da prefeitura, o médico Pedro Henrique de Almeida, explicou aos vereadores que era preciso barrar a circulação das pessoas e que tal medida no fim de semana teria menor prejuízo à vida econômica da cidade. “Claro que isso poderia ter sido feito em dia de semana, mas seria pior. No domingo é efetivo no aspecto da saúde e sangra menos na questão econômica”, apontou Almeida.

O diretor de Urgência e Emergência citou o fato de que aos domingos normalmente o isolamento social já é de aproximadamente 60% da população, contra 30% nos dias de semana.

Em relação ao limite das 21h para entregas de comida e o toque de recolher de uma hora a mais, Almeida citou estudos de trânsito da própria prefeitura que apontam que o pico de acidentes são nesta ordem: as noites de sábado, sexta-feira e domingo. Além disso, enfatizou que os motociclistas são o segundo grupo de condutores com maior número de acidentes de trânsito na capital, mas com traumas mais graves. Entre as motos, a maior parte dos acidentes em Curitiba, citou Almeida, ocorrem após as 19h, com condutores entre 20 e 40 anos do sexo masculino.

“A gente vê que a grande parte dos acidentes ocorre após as 19h até as 5h do dia seguinte. Claro que seria interessante fechar então a partir das 19h, mas justamente por pensar no comércio a gente utilizou como critério o ponto de corte onde que tivesse ao mesmo tempo o maior impacto na mortalidade e menor impacto não só ao comércio, mas na vida pública no geral, que era 21h”, aponta.

“Essa linha de corte consegue ter um grande impacto nos acidentes noturnos, o que libera os prontos-socorros, sem ter o impacto gigante na vida da maior parte da população”, concluiu o diretor de Urgência e Emergência da prefeitura.