A loja de roupas e artigos infantis Xiquita Premium do Hugo Langue, em Curitiba, decidiu fechar as portas no bairro e mudar de endereço após ter sido furtada seis vezes em um mesmo mês – três vezes em uma única semana. As ocorrências foram em novembro de 2019, durante a madrugada. O anúncio do encerramento das atividades foi publicado na quinta-feira (2), na página do Facebook da Xiquita. A empresa é uma das mais tradicionais da cidade em seu segmento. O último dia de funcionamento será sábado (4). Por causa do fechamento, há descontos de 15% a 50% nos produtos.

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A gerência preferiu não gravar entrevista, mas confirmou que o motivo da saída do Hugo Langue é a falta de segurança. Segundo informações, os furtos ocorreram sempre da mesma forma. Os suspeitos quebravam a vitrine usando pedras, e em uma das vezes até um martelo, e levavam todos os produtos que podiam antes da chegada da equipe de segurança da loja.

A notícia do fim da Xiquita na região deixou inúmeros clientes inconformados nas redes sociais. Em alguns comentários da postagem do Facebook, as pessoas dizem que ficam até tristes de comprar com desconto nesse tipo de situação. Outros sugerem que lojas só ficam seguras dentro de shoppings centers. E muitos trazem mensagens como “Que pena”, “Que triste” e “Que dó”.  

O fechamento também deve causar um corte pela metade na equipe de funcionários. O motivo principal é a troca de endereço. Uma faixa no muro informa que a loja do Hugo Langue será incorporada à Xiquita do Batel, na Alameda Carlos de Carvalho. Muitos funcionários teriam optado por não se mudar para lá, por causa da distância maior até as suas residências – algumas delas na Região Metropolitana de Curitiba. A faixa indica, ainda, que a decisão de mudança foi tomada ainda no ano passado, pois a data de fechamento está marcada como sendo 30 de dezembro.

Segurança na região

Alexander Leo, 47 anos, proprietário da revistaria Bom Jesus, que funciona no bairro há mais de 40 anos, explica que a região do Hugo Langue não tem histórico de grandes problemas de segurança pública.

Alexander Leo, dono da revistaria Bom Jesus. Foto: Hedeson Alves/Tribuna-do-Paraná.

“Ficamos sabendo do caso da Xiquita e, realmente, foi algo fora do comum. Entrarem seis vezes dentro de um comércio é algo que chama a atenção. O que lembro é que, há alguns anos, uma loja de roupa teve a vitrine quebrada três vezes. Mas não foi uma vez em seguida outra. Foi espaçado. Na terceira vez, com o alarme da loja, o dono conseguiu pegar o responsável. A loja não funciona mais aqui, mas saiu por motivo mercadológico, não por causa das invasões”, contou Leo.

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Ainda segundo o comerciante, que participa de um grupo de mensagens de vizinhos do bairro, quando há queixas sobre segurança, geralmente elas não têm relação com o comércio. “Em algumas épocas do ano, como agora nas férias, quando o pessoal viaja, os relatos de furtos a residências começam a aparecer. Isso em casas que ficam vazias. Mas não é uma coisa específica aqui do bairro. É algo comum na cidade inteira”, diz.

O que diz a PM

Segundo informou a PM, o policiamento preventivo no Hugo Lange é realizado com os meios humanos e materiais que a corporação possui. E há um reforço de patrulhamento esporádico nos locais onde há mais necessidade, ou seja, nas áreas que demandam mais atendimentos por parte da PM.

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Ainda de acordo com a corporação, é importante o envolvimento da sociedade nas questões de segurança pública, principalmente comerciantes e integrantes de associações do bairro, a fim de discutir ações que possam contribuir com o aumento da segurança, tanto aos moradores quanto aos que transitam pela região.

Além disso, a PM diz que é importante que a população contribua com a segurança fazendo denúncias, repasse informações e características de pessoas suspeitas ou que estejam cometendo algum ato ilícito, para que uma equipe possa verificar e adotar os procedimentos adequados ao que for constatado.