No dia em que os shoppings de Curitiba voltam a funcionar após quase dois meses por causa da pandemia de coronavírus, os lojistas do Polloshop, no bairro Alto da XV, vão entregar suas chaves para o proprietário do imóvel nesta segunda-feira (25). No fim de abril, a administração do shopping anunciou o fim das atividades por desacordo em relação ao aluguel do imóvel, o que, na época, pegou os cerca de 220 lojistas de surpresa. Cerca de mil pessoas trabalhavam no Polloshop, fora os empregos indiretos.

Mesmo com a entrega das chaves, muitos lojistas ainda têm esperança de que as atividades do shopping não se encerrem e administração seja assumida pelos donos do espaço. Segundo lojistas, cerca de 20% dos pontos ainda não foram desocupados. Por enquanto, contratos de funcionários estariam sendo mantidos até a conclusão de um estudo técnico solicitado pelos donos no imóvel, que auxiliará a decidir se é viável assumir a administração do Polloshop.

De acordo com o escritório de advogacia da Cia. Iguaçu de Armazéns, com sede no Rio de Janeiro, proprietária do imóvel, o prazo para a entrega das chaves é nesta segunda. Os detalhes da entrega ainda não foram finalizados. A Cia. Iguaçu aguarda uma resposta da atual administração do Polloshop. Ainda segundo o escritório, o fato de haver algumas lojas que ainda não foram desocupadas não impede a devolução do espaço, uma vez que não foi exigido que o imóvel fosse entregue vazio.

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A Cia. Iguaçu também confirma que há um estudo de viabilidade técnica sendo feito. Porém, em nota, a empresa aponta que “faltam informações, ainda, que são importantes para definir se será possível [assumir a administração do Polloshop]”. Por outro lado, a Cia. Iguaçu se diz “sensível” à situação dos lojistas. “Tudo depende do resultado desses estudos”, diz a nota.

Lojistas

Um grupo de lojistas que se mobiliza para tentar reverter o fechamento do shopping, informou que deve haver uma atenção especial à entrega das chaves na segunda-feira. Segundo o advogado deles, é possível que haja uma mobilização no local para pedir uma solução. Os lojistas argumentam que o Polloshop é um ponto comercial que traz retorno financeiro e não haveria sentido fechá-lo.

Outro fator de preocupação, segundo o advogado dos lojistas, é a manutenção dos cerca de mil empregos gerados diretamente pelas lojas, além dos indiretos. O grupo espera ter uma definição na segunda-feira.

Um lojista que ainda mantém o ponto do Polloshop e não assinou o termo de distrato de aluguel com a atual administração diz manter as esperanças. “A loja dá retorno. Espero um resultado positivo para o estudo técnico. Mas precisamos que ele seja concluído o quanto antes, para decidirmos se manteremos os funcionários. Caso contrário, infelizmente, teremos que demitir. Não é o que queremos”, disse o lojista, que preferiu se manter anônimo.

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A reportagem da Tribuna procurou a assessoria de imprensa da atual administração do Polloshop. Até o fechamento da matéria, na manhã de sexta-feira (22) não havia uma resposta sobre os detalhes da entrega do imóvel e sobre o distrato das lojas que ainda estão no espaço.


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