Pela estatística, cada vez que uma pessoa entra em um ônibus do transporte coletivo de Curitiba, ela tem 25% de chance de subir em um dos 404 veículos com vida útil vencida que ainda circulam pela cidade. Pelo contrato de concessão, esses ônibus com mais de dez anos não poderiam estar circulando, mas uma liminar obtida em 2013 pelas empresas que operam o sistema as desobriga de renovar a frota. Uma das consequências deste envelhecimento é a quebra cada vez mais frequente dos veículos.

Entre 2015 e 2016, a quantidade Registros de Ocorrências emitidos pela URBS por problemas mecânicos nos ônibus subiu 21% e chegou ao total de 7460 casos durante o ano; 2018 registrados em veículos que já ultrapassaram o limite de dez anos.

Risco aos passageiros

O aumento no número de falhas mecânicas levanta questionamentos acerca da segurança do sistema de transporte. Entre janeiro e novembro de 2016, foram registados 738 problemas envolvendo freios, direção ou pneus.

Segundo o diretor de transportes da Urbs, Antônio Carlos Araújo, o órgão tem feito um acompanhamento mais rigoroso para garantir a segurança nos veículos vencidos.

“Nós estamos fazendo a vistoria da frota vencida a cada 90 dias, quando o normal seria fazer em seis meses. Fazemos isso para amenizar o impacto e avaliar melhor a condição dos ônibus”, explica.

Para coibir as falhas nos veículos, a Urbs também aplica multas às empresas pelas quebras e em decorrência da quantidade de reclamações recebidas dos passageiros, critérios que integram os indicadores de qualidade da prestação de serviços.

O transtorno para os usuários do sistema que usam os carros mais velhos, entretanto, não está restrito aos casos de quebra, quando todos os passageiros precisam descer para trocar de veículo. Até quando o ônibus chega ao seu destino, os passageiros precisam conviver com o desconforto. Segundo Gelson Forlin, diretor executivo da viação Glória – uma das que opera o transporte na capital –, os ônibus com a vida útil vencida são mais barulhentos e demoram mais para fazer as viagens por serem mais lentos.

Prejuízo às empresas

Na análise de Forlin, o envelhecimento da frota também é prejudicial para as empresas operadoras do transporte coletivo.

“Hoje, os veículos vencidos representam cerca de 10% da minha frota, mas respondem por 50% dos trabalhos e problemas mecânicos que tenho. São carros que quebram muito mais vezes, dificultam a manutenção e a compra de peças, que às vezes tenho que buscar em outras cidades”, avalia.

Ainda segundo análises das empresas, os custos gerados pelo envelhecimento da frota agravam ainda mais os problemas financeiros do sistema.

“O problema é que veículos com a vida útil vencida dão mais custos de manutenção, desequilibrando ainda mais o sistema, em um círculo vicioso difícil de ser rompido”, disse, em nota, o Sindicato das empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp).

Ônibus quebrados

Entre 2015 e 2016, a quantidade ônibus do transporte coletivo que precisou interromper a viagem por algum problema técnico aumentou 21%.