Já imaginou? Seu prédio é atingido por um incêndio e você não consegue conter as chamas, porque a mangueira foi furtada por bandidos. Pois é exatamente isso que aconteceu em um condomínio do Campo Comprido, em Curitiba. Em um mês, 37 mangueiras dos hidrantes de incêndio foram furtadas, tudo por conta de algumas partes de metalon/latão que compõem as peças. O prejuízo é de quase R$ 10 mil.

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A síndica, que preferiu não se identificar, contou que as ações aconteceram em vários dias do mês de dezembro. “A primeira ação foi entre o dia 7 e dia 11 de dezembro, depois dia 22, dia 23, dia 28, dia 30. Mas até no dia 1 de janeiro nós fomos surpreendidos pela visita dos bandidos”, desabafa.

Nas primeiras vezes, as investidas dos bandidos levaram também a discórdia ao condomínio. “Nós e os moradores começamos até mesmo a desconfiar de que algum morador estaria furtando, porque não conseguíamos entender como isso estava acontecendo”.

A descoberta de que realmente não era ninguém de dentro dos prédios que estava por trás dos furtos se deu no dia em que alguns moradores encontraram um casal suspeito dentro de uma das nove torres. “Eles estavam em atitude suspeita e não eram do condomínio. Depois fomos descobrir que tinham entrado junto com outra moradora, aproveitaram a porta aberta e tiveram acesso”.

Como o casal não foi pego no flagra, os moradores tiveram que deixá-los ir embora, até mesmo por orientação da Polícia Militar (PM). Depois, a síndica encontrou uma mochila que escondia algumas das peças dos hidrantes que já estavam prontas para serem furtadas.

Foto: Divulgação.

Por ter mais de 1600 moradores, o condomínio é muito grande. “Acaba sendo difícil conhecermos todos que vivem por aqui. Por isso, acreditamos que em todas as vezes os bandidos entraram como se fossem moradores”. Ao todo, foram cinco invasões, que trouxeram o prejuízo de quase R$ 10 mil, mas que poderia ser ainda pior. “Imagina se acontece um incêndio? Estaríamos perdidos. Por isso tivemos que reparar o problema imediatamente”.

Todas as cinco ações dos bandidos foram registradas para a Polícia Civil, que investiga os furtos pela Delegacia de Furtos e Roubos (DFR). O que os investigadores buscam é tentar, pelo menos, imagens que ajudem a identificar os bandidos. “Câmeras de segurança ajudam muito. Geralmente são as mesmas pessoas que entram e a partir das imagens podemos identificar as pessoas”, comentou o delegado Victor Loureiro, responsável pelas investigações.

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Conforme o delegado, o furto das peças dos hidrantes é comum porque o cobre é muito valioso, mas os bandidos se confundem e não sabem que o componente das mangueiras não é cobre. “O cobre em si é um material fácil de colocar no mercado e tem valor muito alto. É adquirido por empresas de reciclagem, tem rastreio difícil e falta na natureza. Geralmente estes bandidos furtam para usar o dinheiro da venda em drogas. O que vale alertarmos, como sempre, é que a pessoa que está comprando, por mais que não saiba de onde vem, também está cometendo crime. Se não houvesse o receptador, não haveria o furto”.

No caso dos pedaços furtados do condomínio, os bandidos vendem por no máximo R$ 5 a peça. “Outros vendem até por R$ 2 o quilo. Acontece que as peças que eles vendem por esse preço absurdo, nós pagamos R$ 45 para recolocar nas mangueiras”, desabafou a síndica.

Todo cuidado é pouco!

Enquanto as investigações não chegam aos invasores, o medo dos moradores é de que as ações continuem. “Eu tentei informações com outros condomínios e me disseram que têm acontecido, mas não conseguimos descobrir se tiveram outros prédios próximos que foram alvos. A PM me disse que isso tem sim virado comum, então, nós continuamos com medo e deixamos o alerta a quem vive em prédio: não deixe entrar se você não conhecer”, avisa a síndica.

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O delegado disse que o alerta de não deixar a pessoa entrar contigo se você não conhecer é válido. “O morador tem sim que observar a pessoa que tenta entrar junto com ele. Muitas vezes os bandidos esperam muito tempo até que alguém apareça, para poder entrar. Fazem se passar por morador”.

A dica do delegado é para que, antes de permitir o acesso, o morador converse com quem tenta entrar no condomínio. “Pergunte quem é, entenda onde vai e se realmente está falando a verdade. Não chamo isso nem de má educação e sim precaução. Essa estratégia dos bandidos, de entrar junto com o morador, é muito utilizada, então cabe a nós o cuidado”.

Foto: Divulgação.