Integrantes da Frente Brasil Popular “abraçaram”, na manhã desta terça-feira (10), o Banco do Brasil (BB), na Praça Tiradentes, no Centro de Curitiba. De lá, eles seguiram em passeata até o prédio da Caixa Econômica Federal (CEF) na esquina da Avenida Marechal Floriano Peixoto com a Rua José Loureiro, e lá fizeram novo ato simbólico.

O objetivo da manifestação, que começou logo pela manhã, com vários corações espalhados pela Boca Maldita, era demonstrar apoio à presidente Dilma Rousseff (PT) e registrar a revolta contra a possível privatização dos únicos bancos públicos existentes no país. Os corações tinham os dizeres “#FicaQuerida” e “Este não será o país do ódio”.

O ato nos dois bancos esteve focado também contra a privatização de ambos. “Não podemos permitir que isso aconteça. Afinal de contas, é a Caixa, por exemplo, que mantém os financiamentos do Minha Casa, Minha Vida. As pessoas precisam ter a garantia de conseguir a casa própria”, defendeu um dos coordenadores do Movimento por Moradia Popular (MPM), Chrysantho Figueiredo.

Na manifestação, pelo menos 200 pessoas estiveram presentes. Parte delas recebe o auxilio Bolsa Família e espera pela legalização de terrenos em áreas de invasão onde moram. Havia também trabalhadores que aguardam na fila para terem a casa própria em outros locais da cidade.

“Vivo de fazer pão caseiro e lavar roupa para fora. A gente só quer que o local que ocupamos seja liberado para ser construído e financiado. Se o banco for privatizado, isso nunca vai acontecer”, disse Maria de Fátima Meira, de 51 anos, que vive na ocupação Primavera, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

Além do MPM e das pessoas convocadas pelo movimento, a manifestação contou com apoio de funcionários da Caixa, do BB. Representantes de outros sindicatos como o dos bancários e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também se posicionaram.

Bloqueio e revolta

A manifestação bloqueou o fluxo de veículos na Rua José Loureiro e o trânsito foi desviado pela Avenida Marechal Floriano Peixoto. A movimentação fez com que muitas pessoas que esperavam pelos ônibus ou que passavam por ali reclamassem do protesto. “Não é assim que deve ser feito. Eles podem até estarem atrás de uma causa justa, não entro nesse mérito, mas é visível que se perdem nos argumentos”, disse um idoso que acompanhava, de longe, a manifestação e não se identificou. 

Algumas rodas entre os manifestantes chamaram a atenção de quem acompanhava o protesto. “Eles estão respondendo a uma lista pra quê? Estão recebendo para estarem aqui? Então a manifestação não é por um bem maior?”, desabafou um homem, que também não se identificou.

O representante do MPM explicou que a resposta à chamada, como muitas pessoas viram, é feita para manter o cadastro dos moradores e que ninguém recebeu para estar na manifestação. “Apenas temos o controle das pessoas cadastradas, pois elas precisam acompanhar nossos atos, nossas reuniões e até mesmo frequentar cursos profissionalizantes para se manterem ativos”, explicou Figueiredo.  

Chrysantho Figueiredo, do MPM, reunido com os moradores. Foto: Gerson Klaina.