Nascido no Cajuru, o morador Renato Bueno, de 67 anos, conhece o bairro de ponta a ponta, como ninguém. Saudosista e orgulhoso do seu bairro, o cuidado que tem pelo bairro virou função voluntária: presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Cajuru. Sua gestão começou recentemente, em abril deste ano. E, apesar da pandemia ter atrapalhado e freado um pouco do trabalho dos voluntários do Conseg, Renato tem várias ideias de como melhorar a região.

“Eu gosto do Cajuru, acho que o bairro está expandindo bastante. Tem locais que precisam de um pouco de atenção, mas sei que tem projeto da prefeitura para esses locais. Tem coisas acontecendo, lentamente, mas acontecendo. A gente sempre quer o melhor”, reforça o presidente.

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Comerciante da região, Renato Bueno quer reunir os moradores do Cajuru para uma assembleia em breve. A ideia é fazer um levantamento dos problemas, ver qual é a demanda. “O Conseg estava desativado há dois anos. Na pandemia, a gente se articulou, montamos um grupo. Adiamos umas três vezes a reunião, não conseguíamos nos reunir presencialmente. Agora estamos caminhando bem”, esclarece.

Com Conseg reativado a pouco tempo e reuniões mensais que iniciaram em abril, o conselho do Cajuru ainda caminha para conhecer os pontos fracos do bairro, as necessidades de policiamento, quais são os crimes mais comuns da região. “Estamos interagindo com outros conselhos, fizemos algumas reuniões com a Polícia Militar, Polícia Civil. A cada dois meses a gente participa de um café, onde a gente troca experiências. Esse é o trabalho que estamos fazendo, desde abril”, conta Renato.

Diretoria do Conseg Cajuru. Foto: colaboração.

Cajuru, bairro conhecido desde 1680

O Cajuru, em que língua indígena significa boca da mata, era uma grande área verde que abrangia áreas dos bairros como o Tarumã, Capão da Imbuia, Cristo Rei, Jardim das Américas e parte do Uberaba – hoje todos separados. Por sinal, a região era conhecida desde 1680! Os anos se passaram, veio a construção das oficinas da Rede Ferroviária Curitiba-Paranaguá em 1930, loteamentos em 1940, Varejão Capão da Imbuía em 1980. O Mercado Regional do Cajuru foi inaugurado em 2012, poucos anos atrás.

Atualmente, o bairro faz limite com Pinhais e São José dos Pinhais, os dois municípios da região metropolitana, Uberaba, Jardim das Américas, Jardim Botânico, Capão da Imbuia e Guabirotuba. O bairro pega também boa parte do trecho urbano da BR-277, que inicia no Jardim Botânico e vai até São José dos Pinhais. Quer um passeio ao ar livre? Então vale conhecer os parques dos Peladeiros e Linear do Cajuru.

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Apito do trem que tira o sono

Há quem diga que o Cajuru é um bairro perigoso e violento, mas nesses anos todos o apito do trem foi o que tirou o sono de vários moradores. Reportagens de 2019 feitas pela Gazeta do Povo revelam que o barulho feito pelas buzinas nos cruzamentos com passagens de nível pelo bairro tirou o sono de muita gente por anos. Só depois de muita conversa, a empresa operadora das linhas férreas da região entrou em acordo com os moradores e o volume do apito dos trens baixou.

15 anos de experiência e trabalho voluntário

Renato Bueno é pela primeira vez presidente do Conseg Cajuru. Mesmo que esteja iniciando a liderança do conselho, Renato carrega a experiência de 15 anos em outros conselhos, como o Conselho Regional de Segurança Alimentar e Nutricional (Coresan), que atua na defesa do direito à alimentação saudável.

Agora, Renato defende uma melhoria da segurança nos locais públicos. “Queremos fazer um mapeamento das praças, entrar em contato com os vereadores, com os empresários do Cajuru, com presidentes de associações. Eles conhecem a demanda local. Essa é a nossa linha de pensamento”, finaliza.

Onde achar o Conseg?

Caso queira ir em um Conseg próximo de casa para ser voluntário ou mesmo para fazer uma reclamação ou pedido, procure no -site da Ceconseg o conselho mais perto da sua região, ou entre em contato via e-mail ( -conseg@sesp.pr.gov.br) e telefone  (41) 3299-7928.

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