Ao apelar para a compreensão da população e do setor produtivo no decreto da bandeira vermelha nesta sexta-feira (28), a secretária municipal de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, afirmou que acredita que essa será a última grande onda de transmissão do coronavírus. “Eu, pessoalmente, como secretária, tenho convicção de que será a última onda. Estamos quase chegando na praia, é a última remadinha”, declarou a secretária ao anunciar a volta do lockdown.

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Antes de anunciar o decreto mais restritivo, a prefeitura havia feito reunião com os setores da economia e representantes da saúde pública e particular quinta-feira (27) para explicar por que a volta da bandeira vermelha era necessária. “Depois de 15 meses de pandemia, com equipes cansadas, profissionais exaustos, dificuldade de repor profissionais, indústria farmacêutica em situação complicada. Ontem fizemos uma reunião boa e produtiva com setor da saúde com todos os representantes em uma sala virtual para chegar a um encaminhamento. A gente conseguiu construir uma agenda”, disse a secretária.

Segundo Márcia, a confiança de que essa será a última onda e de que a situação tende a melhorar daqui por diante está no avanço da vacinação da Covid-19. Nesta sexta, a prefeitura confirmou que vai abrir a imunização para a população em geral por ordem decrescente de 59 a 19 anos assim que a vacinação do grupo de pessoas com comorbidades terminar. “Vamos fazer um esforço conjunto da sociedade para vencer essa curva. Acredito que vamos avançar na vacinação”, confia Márcia.

A opinião de que essa deve ser a última onda foi compartilhada por Clóvis Arns Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. O médico, que é diretor clínico do Hospital Nossa Senhora das Graças, ressaltou que estamos com a “luz no fim do túnel”.

Região metropolitana

“Também acredito que essa vá ser a última onda. Mas para isso acontecer, depende de cada curitibano”, reforçou o médico, referindo-se às medidas preventivas: uso de máscara, distanciamento para as outras pessoas de 1,5 m, não participação em aglomerações e uso do álcool gel.

Porém, o infectologista ressaltou que as mesmas medidas devem ser adotadas na região metropolitana. “Depende também dos moradores da região metropolitana, cujas prefeituras teriam que adotar as mesmas medidas. Não adianta medidas em Curitiba e a população da região metropolitana ir em festa clandestina, porque isso vai sobrecarregar Curitiba”, enfatizou Cunha. A expectativa é de que o governo do estado também anuncie nesta sexta um decreto metropolitano para que as restrições de Curitiba sejam também tomadas nas cidades vizinhas.