Mesmo ainda com ocupação alta de pacientes com Covid-19 nas UTIs, a prefeitura de Curitiba planeja começar na próxima semana a desativação dos leitos exclusivos para pacientes com coronavírus nas nove Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Por quase dois meses, as UPAs foram transformadas em pronto-socorros exclusivos de Covid-19, já que os hospitais haviam colapsado, o que levou ao decreto do lockdown nos 23 dias em que a capital ficou na bandeira vermelha, de 13 de março a 4 de abril. Segundo boletim mais recente, Curitiba tem 6.079 casos ativos.

Desde o início de março, Curitiba não consegue ocupação menor do que 93% nas UTIs exclusivas de coronavírus, justamente o índice registrado no boletim epidemiológico mais recente, de segunda-feira (26). Das 525 vagas intensivas da cidade atualmente, 35 estão livres.

Mesmo tendo sido encerrado há 23 dias, só nos últimos dias o lockdown começou a impactar nos internamentos de UTI. E, apesar de a ocupação ainda ser alta, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) prevê que as internações em unidades intensivas deve perder ainda mais força nos próximos dias. Com isso, deve começar na próxima quarta-feira (5) a desativação dos 360 leitos de Covid-19 nas UPAs, que voltarão às suas funções normais de atendimento de todos os casos de emergência.

“Essa retomada das UPAs será gradativa, conforme a realidade de cada unidade. Com isso, não só as próprias UPAs retornarão a suas funções normais, como também as unidades básicas de saúde, que estavam atendendo casos de pronto atendimento e voltam a ser unidades clínicas”, explica o médico Alcides Oliveira, diretor do Centro de Epidemiologia da prefeitura.

Oliveira aponta que mesmo alta, a ocupação atual de UTIs está dentro do previsto por dois fatores. Primeiro, que esse é o último índice a ser impactado positivamente pelo lockdown. Segundo, pelo quadro atual da pandemia, em que a variante P1, descoberta no Amazonas, é mais transmissível e atinge pessoas mais novas, que, por terem mais resistência, ficam mais tempo internadas.

“Antes dessa variante, a doença acometia muitos idosos, principalmente os de idade mais avançada, entre 80 e 90 anos, que não ficavam muito tempo internados. Agora, a doença acomete principalmente pessoas entre 30 e 59 anos, sem comorbidades, que chegam a ficar até 60 dias internados”, compara o diretor do Centro de Epidemiologia.

Frio preocupa

Apesar da tendência atual de queda na ocupação das UTIs, Oliveira enfatiza que o alerta está ligado novamente no cenário a curto prazo pela chegada do frio. “Nossa preocupação atual é que estamos prestes a entrar no inverno, o que pode trazer uma nova onda da doença”, admite o diretor do Centro de epidemiologia.

No inverno, há maior ocorrência de doenças sazonais, como a gripe, pelo comportamento das pessoas que facilitam a transmissão, principalmente por não manterem os ambientes ventilados. Mesmo não sendo sazonal, já que ocorre ao longo de todo o ano, a Covid-19 também ganha força com esse comportamento que facilita a transmissão. “Por isso não dá para relaxar em nenhum momento com as medidas preventivas da Covid-19”, ressalta Oliveira.

O Laboratório de Climatologia da Universidade Federal do Paraná (Laboclima), que faz estudos de incidência de doenças conforme a ação do tempo, já vem emitindo alertas do risco de transmissão do coronavírus com a temperatura mais baixa dos últimos dias. Por isso, a orientação é de sempre manter os locais ventilados, ao logo de todo o ano. Como no frio a tendência é de se manter janelas fechadas para manter o ambiente aquecido, a orientação é de que elas sejam abertas de quatro a cinco vezes por dia por no mínimo 15 minutos para que o ar seja trocado.