“O Arthur me dizia que ainda conquistaria muitas medalhas para mim, mas eu sempre disse a ele que ele era a minha maior medalha”, é assim que Maria Pugliesi lembra, ainda muito triste, do filho Arthur Pugliesi Oliveira, que tinha 22 anos e morreu após ser atropelado na Avenida Comendador Franco, a Avenida das Torres, próximo à Linha Verde. O acidente aconteceu no último dia 22 de julho e a família planeja um protesto neste sábado (31), para pedir que haja Justiça.

À Tribuna do Paraná, o professor de karatê de Arthur contou que o rapaz tinha acabado de fazer uma aula e voltava para a Casa do Estudante Nipo-Brasileira de Curitiba (Cenibrac), onde morava. “Ele era de Osasco, São Paulo, então vivia nessa casa de estudante que o clube patrocina para pessoas de baixa renda. Voltava de bicicleta depois de uma noite de aulas, quando foi atropelado e arremessado”, contou Juciano Kendi Iwamoto.

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O professor contou que, ao ser atropelado, Arthur voou longe. “Ele não só foi arremessado a uns dez metros, como o motorista parou o carro, voltou ao local e mexeu no corpo. Quando viu que tinha gente se aproximando, saiu do local e voltou quando o Siate chegou. O que nós sabemos é que era uma pessoa que já tinha antecedentes e a história está muito estranha, por isso queremos Justiça”.

Arthur, que veio a Curitiba para realizar seu sonho de estudar, usava a bicicleta como meio de locomoção e era apaixonado por atividades físicas. Após o acidente, o rapaz chegou a ser socorrido pelo Siate, mas morreu dois dias depois, em decorrência dos ferimentos, no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie. “Era um menino exemplar, que ajudava no sustento da família, trabalhava em três empregos e treinava quando dava tempo porque ainda estudava. Tinha sonhos e foi tudo perdido por causa de uma imprudência”, desabafou o professor.

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Jovem estava de bicicleta no momento do acidente e foi arremessado longe com a batida. Foto: Arquivo Pessoal.
Jovem estava de bicicleta no momento do acidente e foi arremessado longe. Foto: Arquivo Pessoal.

Câmeras registraram

Segundo o relato da família, câmeras de segurança registraram o acidente e mostram exatamente como tudo aconteceu. “Não tive coragem de ver as imagens, minha filha viu, mas elas mostram que o carro vem em alta velocidade, joga, arrasta, sai arrastando. Depois o motorista volta, manipula, tira o corpo do local, puxa para o meio da rua. Não foi só um atropelamento, foi seguido de outros momentos muito cruéis. O moço viu que era grave e ainda mexeu com o corpo”, comentou Maria, a mãe de Arthur.

A mulher disse à reportagem que as imagens já estão com a polícia e a família acionou um advogado para ajudar, pois moram em Osasco. “Assim que possível vamos passar as imagens todas para as emissoras. Porque uma parte do vídeo foi divulgada, mas mostra pouco, queremos divulgar o material na íntegra para mostrar tudo que aconteceu. A sociedade, a Justiça precisa ter de fato a real visão do que aconteceu”. Assista aqui ao vídeo!

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Maria disse que, embora esteja destruída por dentro, tenta se manter de pé para lutar por Justiça. “Preciso do apoio no sentido de mobilizar as autoridades. Ali era devidamente sinalizado, tinha duas placas, o motorista deveria ter diminuído a velocidade. Ele quebrou a bicicleta no meio e, com certeza, não estava na velocidade de 40 km/h, porque se estivesse, não teria acontecido o que aconteceu”.

À Tribuna do Paraná, a mãe de Arthur disse que a família se mobilizou para fazer um protesto, junto com amigos e conhecidos do rapaz, pois o acidente não pode passar em branco. “Meu filho era o presente mais precioso que Deus me deu. Um filho querido, maravilhoso, que estava na melhor fase da vida, no terceiro ano do curso, sempre foi o sonho dele ser engenheiro e foi a Curitiba estudar e realizar os sonhos. Ele foi arrancado de mim de uma forma muito cruel, muito estupida, e eu vou até o fim para lutar por Justiça”.

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Foto: Arquivo Pessoal.
Rapaz estava morando em Curitiba para realizar o sonho de estudar na UTFPR. Foto: Arquivo Pessoal.

O que diz a polícia?

O delegado Edgar Santana, da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), responsável pelas investigações, disse que o motorista já foi ouvido. “O condutor do veículo informou que não conseguiu evitar o acidente, já que o ciclista teria feito uma manobra brusca tentando atravessar a via e ele não teve tempo suficiente. Apesar disso, vamos ouvir outras testemunhas para confirmar ou não a versão do condutor”.

Sobre o fato de o motorista ter mexido no corpo do estudante, o delegado disse que também questionou o motorista. “Pelo depoimento, ele diz que mexeu no corpo para tentar salvar a vida da vítima. Ele disse que colocou um apoio na cabeça na tentativa de salvar, mas isso só as testemunhas para confirmar ou não”, explicou Edgar Santana, reforçando ainda que as imagens registradas já foram juntadas ao inquérito policial.

Ainda conforme o delegado, apesar de estar correndo o prazo das investigações, que é de 30 dias podendo ser prorrogado por mais 30, a polícia ainda não tem uma conclusão precisa do que pode acontecer com o motorista. “Até o presente momento não chegamos a uma conclusão, mas há indícios de que o motorista não foi imprudente, nem imperito, no acidente. Há uma grande possibilidade de que a vítima tenha contribuído para que o acidente acontecesse, mas vamos apurar”.

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Protesto marcado!

Para marcar a data e chamar a atenção das autoridades, muita gente se uniu nas redes sociais e marcou um protesto para pedir Justiça. Além disso, familiares de Arthur e a mãe do rapaz também virão a Curitiba para participar do ato. O protesto, marcado para este sábado (31), está previsto para começar ao meio-dia, em frente à UTFPR Central, onde Arthur estudava, e segue em caminhada até o Passeio Público. Em seguida, as pessoas planejam ir até o local do acidente (próximo ao Big da Avenida das Torres) para um segundo ato. “Queremos que todos participem, porque dessa vez foi o meu filho, mas se nada for feito logo pode ser outra mãe que vai chorar”, desabafou Maria Pugliesi.

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