A situação envolvendo a morte do jovem médico Leonardo Janeri, de 24 anos, que morreu na sexta-feira (6) após um acidente com fogo num bar do Centro de Curitiba, reforça o alerta para o perigo do manuseio de líquidos inflamáveis. Segundo a Polícia Civil, a reposição de álcool de um pequeno aquecedor de mesa teria provocado o acidente fatal. Para o Corpo de Bombeiros, a situação poderia ter sido evitada se a quantidade de etanol utilizada para reabastecer a chama fosse pequena.

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De acordo com a delegada que está acompanhando o caso, Tathiana Guzella, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil, a funcionária do bar teria levado um galão de etanol para acender a chama de um dos três aquecedores de mesa que havia apagado. Ao manusear o material inflamável, a funcionária teria derrubado parte do líquido do galão em cima da vítima num susto, fazendo com que as chamas tomassem o corpo do jovem rapidamente.

O acidente, no entanto, poderia ter sido evitado. De acordo com a tenente Ana Paula Bagge, do Corpo de Bombeiros, o ideal seria que a funcionária tivesse levado uma pequena quantidade do líquido até a mesa e não um galão. “A gente imagina que se ela tivesse com uma quantidade menor, o acidente não teria acontecido. A questão da quantidade reduz os riscos”, revela Bagge.

É importante também estar atento às orientações do fabricante do combustível. “O que a gente orienta é que num contato com uma fonte de ignição, todo cuidado é pouco. O manuseio precisa ser feito com uma quantidade mínima necessária”, explica a tenente. A utilização de álcool em gel em vez de álcool líquido também poderia ter evitado o acidente. Segundo a tenente, a versão líquida é mais fácil de derramar e também de dissipar no ambiente. A consistência do gel dificulta as chances de incêndio e mantém o fogo controlado.

Existe ainda um outro ponto essencial: a extrema importância dos funcionários do estabelecimento de conhecer as normas de segurança contra incêndios. “O Corpo de Bombeiros cuida da questão das normas de segurança, se há saídas de emergência, extintor disponível. Mas é realmente necessário, ao manusear um produto inflamável, ter todo cuidado e atenção”, orienta. É preciso ponderar a real necessidade de manter equipamentos que deixam o espaço confortável, mas que possam oferecer riscos aos clientes e funcionários.

Modelo de aquecedor que provocou a morte do médico Leonardo Janeri em bar de Curitiba. Foto: Instagram

Como proceder em caso de acidentes

Apagar um incêndio precisa de todo cuidado e cautela. Afinal, a maneira como se apagam chamas do corpo de uma pessoa ou de um mobiliário são diferentes. No caso de mobiliários de madeira, o adequado é utilizar um extintor próprio de pó, ou água. Já para apagar as chamas do corpo de uma pessoa, a orientação é abafar o fogo com toalhas e cobertores.

Queimaduras leves podem ser aliviadas com compressas de água fria. Evite receitas caseiras, como passar pasta de dentes, margarina e outros produtos no local da queimadura. Em caso de bolhas na pele, a orientação dos bombeiros é de que elas não sejam estouradas.

“Em casos mais graves, não é recomendado fazer o resfriamento da vítima, que pode gerar hipotermia. É importante também não retirar peças de roupa que estejam grudadas na pele”, explica a tenente. Em caso de acidentes, o acionamento do Corpo de Bombeiros precisa ser feito imediatamente pelo telefone 193.