A vacinação contra a covid-19 tem ajudado na redução do número de novos casos e de óbitos entre os idosos em Curitiba. Antes da imunização, em dezembro de 2020, metade das mortes por infecção do coronavírus na capital paranaense era registrada entre idosos acima de 70 anos. Esse índice caiu para 38% em abril, quando boa parte desse público já havia tomado as duas doses da vacina.

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Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo professor de Medicina da PUCPR José Rocha Faria Neto. A pesquisa foi feita usando os dados públicos disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba desde o início da pandemia, em março de 2020.

De acordo com o professor, o primeiro impacto positivo da vacina entre os idosos foi percebido na redução do número de casos de covid. Segundo Faria Neto, nos dois períodos analisados – entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021 e entre março e abril deste ano – o número de pessoas infectadas pelo coronavírus foi o mesmo, algo em torno de 20 mil ocorrências.

“Entre os pacientes de 90 anos de idade ou mais o número de casos caiu cerca de 42%. Na faixa etária entre 80 e 89 anos a queda foi bem próxima, de 40%. Uma redução menor, mas importante, de 15% nas infecções também foi percebida entre os pacientes com idades entre 70 e 79 anos”, detalhou.

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No fim de 2020, antes da vacinação, o professor identificou que cerca de 6% dos mortos por causa da covid em Curitiba tinham 90 anos ou mais. Em abril de 2021, após a aplicação das duas doses, as mortes dentro dessa faixa etária passaram a responder por 1,17% do total. “Houve quedas significativas também nas mortes entre as pessoas de 80 a 89 anos, de 16% para 11% do total. Na faixa de 70 a 79 anos a incidência de óbitos também caiu, de 28% para 25%”, relatou.

Efetividade da vacina

Faria Neto destaca que a pesquisa mostra a real efetividade das vacinas, fato que já havia sido verificado nas pesquisas de desenvolvimento dos imunizantes. Ele reforça que mais do que prevenir a infecção, as vacinas também ajudam a tornar menos graves os quadros de saúde de quem tem covid depois de ser imunizado.

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“O que começamos a ver é que, saindo do cenário supercontrolado da pesquisa, o impacto da vacina identificado nos estudos é perfeitamente verificado no mundo real. As pessoas podem ter dúvidas e até mesmo se questionarem ‘qual vacina eu devo tomar?’, e a resposta é: qualquer vacina que estiver disponível no dia. Tem que tomar. Todas as vacinas, com maior ou menor eficácia, têm um efeito muito grande na redução de risco de contágio e de desenvolvimento de casos graves da doença”, disse.

Alerta para o Dia das Mães

O professor aponta uma certa estabilidade nos números de casos confirmados e de mortes pela covid em Curitiba. O dado é considerado importante por Faria Neto, mas ele alerta: por estarem “estacionados em um patamar elevado”, os números podem piorar a qualquer descuido dos curitibanos.

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“Temos que estar cientes de que qualquer descuido ou descumprimento às regras de distanciamento social vai implicar em uma nova piora do cenário. As pessoas têm que prestar atenção nisso, especialmente neste final de semana do Dia das Mães. Todas as datas comemorativas sempre resultaram em um certo aumento no número de casos. Esperamos que as comemorações sejam feitas da forma mais responsável possível, com cuidado, de preferência em grupos pequenos em ambientes arejados”, pontuou.