Um motociclista na contramão movimentou o trabalho da Polícia Militar na manhã de ontem, no Bacacheri. João Ferraz, 58 anos, pilotava a moto no sentido contrário da Rua Estados Unidos, próximo ao cruzamento com a Canadá, quando foi visto por um policial militar que seguia de moto no sentido normal. Ao ser abordado pelo PM, o homem resistiu e começaram a discutir.

Dentro da garagem do prédio onde João mora, o homem se recusou a entregar os documentos de habilitação e da motocicleta e passou a ofender o policial. “João foi encaminhado à delegacia por desobediência e desacato”, contou o soldado Lopes, do 12º Batalhão.

Viaturas

A confusão se arrastou por mais de duas horas. Isso fez com que a central da polícia mandasse mais viaturas, porque o policial alegou que estava em cárcere privado, pelo portão da garagem do prédio estar sendo mantido fechado e impedindo a saída do soldado à rua.

O motociclista confirmou que andou na contramão e não soube explicar o motivo de não parar ao ser abordado. “Confesso que posso ter me exaltado, mas não precisava tanto, eu estava entrando no portão da minha própria casa”, disse João. O homem disse que não trancou o policial no prédio. “Eu estava em casa, poderia abrir o portão a qualquer momento, de forma alguma o tranquei”.

Documentação

João também se explicou e falou que a moto, por ser de 49 cilindradas, não precisava ter placas e nem a obrigatoriedade da carteira de habilitação. “Não é uma moto de grande porte e a lei está ao meu lado”. O soldado Lopes mostrou ao homem que a informação era errada. “A lei diz que todo veículo automotor deve ter o registro. Quanto a habilitação, essa poderia ser uma simples autorização para ciclomotores”, explicou. (Veja quadro explicando as diferenças entre cada veículo e a exigência de documentos).

A moto, uma scooter de 49 cilindradas, foi apreendida e encaminhada ao pátio do Detran. João foi levado ao 5º Distrito Policial, onde assinou um Termo Circunstanciado de Infração Penal por desobediência e desacato e deverá se apresentar dentro de alguns dias em uma audiência marcada no Juizado Especial.

Dois pesos, duas medidas

A família de João Ferraz estava indignada. Esposa e filha contaram que no dia 18 de janeiro, o apartamento deles foi invadido por ladrões e a PM demorou seis horas para dar assistência. “Os policiais disseram que não tinha gasolina para irem até a nossa casa fazer o boletim de ocorrência, mas aí eu pergunto, para abordar o meu marido hoje vieram mais de dez carros. Para isso, para fazer essa bagunça com um homem de bem, a polícia tem viatura de sobra?”, indagou Dilair Ferraz, de 62 anos. De acordo com a esposa, a casa foi invadida às 16h e a PM chegou depois das 22h.

Através da assessoria de imprensa da PM, o comando do 20.º Batalhão afirmou que não acredita que tantas viaturas assim foram até o prédio. Isto porque, segundo o comando, o Batalhão abrange uma área muito grande, que vai do Alto Boqueirão ao Cachoeira, e as viaturas estavam todas distribuídas nos bairros, não havendo tantas viaturas disponíveis nas proximidades. E as que foram chegando e viram que a situação não era crítica já foram se dissipando, ficando apenas a viatura titular da ocorrência. O comando também informou que os últimos débitos com fornecedores de combustível foram todos pagos há mais de duas semanas.

A PM ainda disse que pesquisou ocorrências de furto ou roubo em nome de João e do endereço dele, mas não encontrou nenhuma solicitação para atendimento de furto ou roubo em 18 de janeiro. A PM disse que, quem se sentir ofendido por algum atendimento da PM, que formalize denúncia na Corregedoria da Polícia Militar ou em qualquer batalhão da corporaç&atild,e;o.