Pode ser fevereiro, abril, julho ou setembro: independentemente do mês, o veículo utilizado pelo motorista de aplicativo Paulo Duarte, de 64 anos, sempre estará decorado para o Natal. Ao entrar no veículo, o passageiro se depara com flores natalinas, gorros vermelhos e outros detalhes dourados. Além disso, basta um momento em silêncio para ouvir as notas de canções como Noite Feliz e Jingle Bells ecoarem pelo carro.

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Segundo ele, os fios grisalhos são naturais, e o passageiro pode até “puxar” alguns fios para certificar-se de que são verdadeiros. “São 13 anos sem cortar”, afirma Duarte, que também carrega sua “sacola de Papai Noel” para adoçar a viagem dos passageiros e de quem estiver ao redor. “Distribuo balas para todos que entram no meu carro, para as pessoas que as recebem no destino e para quem se aproximar. São mais de 300 por dia”.

É comum, inclusive, ver o “bom velhinho” parar no semáforo e pedir aos vendedores ambulantes um favor especial: pegar algumas balas e entregar às crianças do veículo ao lado. “Os pequenos ficam tímidos no começo, mas os pais as encorajam, então elas abrem o sorriso, acenam e agradecem”.

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O motorista trabalha com aplicativo de transporte de passageiros em Curitiba há um ano e dez meses e, desde o seu primeiro dia na atividade, transmite aos passageiros a ideia de viver o espírito do Natal o ano inteiro com amor, solidariedade e alegria.

E as mensagens de agradecimento que ele recebe pelo aplicativo de transporte evidenciam isso. “Estou passando por um momento difícil e encontrar o Papai Noel era tudo que eu precisava”, escreveu um passageiro. “Você fez meu dia ser melhor! Parabéns pelo trabalho que realiza”, relatou outro.

Segundo o motorista, as pessoas dividem com ele suas preocupações e agradecem pelo momento feliz que passam dentro do “trenó”. “Esses dias uma passageira me contou que estava bem doente e muito triste. Quando eu cheguei ao seu destino, desci do carro e ela me abraçou por vários minutos. Aquilo a ajudou a renovar suas forças e, para mim, foi gratificante!”, relata Duarte.

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O Papai Noel

O trabalho como “bom velhinho” começou bem antes de ele se tornar motorista. Em 2007, o morador do bairro Uberaba enfrentou uma forte depressão e utilizou a atividade voluntária para vencer a doença. “Me ofereceram a roupa, a bota e o cinto, e eu comecei a andar pela cidade em um fusca distribuindo balas para crianças. No primeiro dia, fiquei uns 40 minutos chorando sem parar”, recorda o Papai Noel.

Aos poucos, a alegria tomou o lugar da tristeza, e Duarte começou a distribuir balas todos os dias. “Aquilo me fazia bem”. Além disso, decidiu deixar o cabelo e a barba crescerem, e tornou o trabalho oficial. “Comecei a atuar como Papai Noel em empresas nos meses de novembro e dezembro, e decidi continuar na função no restante do ano, onde quer que eu estivesse, igual naquela música do Roupa Nova”.

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A atividade passou a fazer parte do seu dia a dia, e a gratidão demonstrada pelas pessoas diariamente o ajudou a vencer a depressão. “É algo simples, mas que pode mudar o dia de uma pessoa. Hoje estou muito bem e faço questão de sair de casa para levar essa alegria aos outros”.

Duarte nasceu em 1955 na cidade de Iepê, no interior de São Paulo. Ele cresceu na região de Maringá – Norte do Paraná – e mudou-se para a capital paranaense em 1977. Hoje, o “bom velhinho” tem 64 anos, é casado com a curitibana Tânia Maria Duarte, de 59 anos, pai de dois filhos e avô. “Já tenho um neto de cinco anos e mais um está a caminho. Levar o espírito natalino o ano inteiro só me fez bem“, garante.

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