O motorista que conduzia o ônibus que cruzou uma linha férrea no Cajuru, em Curitiba, em outubro do ano passado, causando um grave acidente que terminou com a morte de uma mulher, foi indiciado pelo crime de homicídio com dolo eventual. O acidente ocorreu na madrugada do dia 20 de outubro e envolveu um trem e um ônibus com 15 passageiros, entre eles a auxiliar de produção Sirlei Mendes dos Santos, 44 anos, que morreu no local do acidente.

Segundo o delegado Edgar Santana, da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), quatorze pessoas foram ouvidas e relatórios de viagem, bem como a caixa preta do trem, foram verificados.

“Entendemos que o motorista de ônibus teve plenas condições de ter visualizado a locomotiva se aproximando, teve plenas condições de escutar a buzina do trem, inclusive sendo alertado pelos demais passageiros, mesmo assim, ciente do risco que sua conduta poderia causar, resolveu agir, tentando efetuar a travessia da via férrea, assumindo o risco de causar o resultado”, explicou o delegado, em entrevista ao Bom Dia Paraná, da RPC. Na ocasião, Paulo Afonso Ramires, motorista do micro-ônibus, afirmou à imprensa que “não tinha saído de casa para matar”. Ele ainda criticou a sinalização no local do acidente.

Segundo o delegado, o crime pelo qual ele foi indiciado pode render 20 anos de reclusão. “Por essas razões a polícia civil promove o indiciamento do acusado, não pela prática do crime de homicídio culposo, previsto no código de trânsito, com pena de até quatro anos, mas sim pela prática do crime de homicídio com dolo eventual, previsto no código penal, cuja pena pode chegar a até 20 anos de reclusão”, detalhou o delegado.

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Local perigoso

Acidente ocorreu na madrugada e deixou uma mulher morta e mais dez feridos. Foto: Colaboração.

O acidente aconteceu na Rua Osiris del Corso, cruzamento com linha férrea mais crítico de Curitiba, com oito acidentes só até aqui em 2020. O choque resultou na morte da auxiliar de produção Sirlei Mendes dos Santos, 44 anos. Outros cinco passageiros do micro-ônibus, que transportava 15 pessoas que retornavam do trabalho em uma fábrica de peças de São José dos Pinhais, chegaram a ser internadas com ferimentos.

No dia do acidente, a Rumo, concessionária responsável pelo trem que administra a linha férrea, disse que o maquinista estava cumprindo todos os protocolos de segurança no momento da colisão. Segundo a empresa, a locomotiva estava com o farol ligado conforme o padrão operacional que é obrigatório para a circulação do trem e que todos os procedimentos de segurança ao atravessar uma passagem em nível foram tomados.