Motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba estão pressionando as empresas para garantir que o 13° salário será pago em dia (1ª parcela em 30 de novembro e 2ª parcela em 20 de dezembro).

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) se manifestou no final da tarde de ontem (23). A entidade está com medo de que, o que até agora era boato realmente aconteça e os trabalhadores não recebam a primeira parcela na data prevista.

Segundo o Sindimoc, um ofício foi enviado ao Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana, Setransp, cobrando transparência dos empresários e, como resposta eles receberam que as empresas não tem como garantir que conseguirão honrar seus compromissos e pagar os valores em dia. O Setransp propôs ainda uma audiência no Ministério Público do Trabalho da 9ª Região com a Urbs e a COMEC, a qual convida o Sindimoc.

O sindicato dos motoristas apurou junto a Urbs que o aporte para o 13° salário é provisionado ao longo do ano e que mais de 80% do valor já está no caixa das empresas.

Foto: Henry Milleo.
Empresas estão com dificuldades para pagar o 13º salário. Foto: Henry Milleo.

A reportagem da Tribuna do Paraná procurou o Setransp. O sindicato afirmou que a dificuldade para realizar o pagamento do 13° é decorrente de uma projeção de passageiros feita pela Urbs que não se verifica na prática. A nota explica: De março a outubro, a Urbs estimou que 148 milhões de passageiros embarcariam nos ônibus, cada um pagando R$ 3,70, para arcar com o custo do serviço. No entanto, a realidade foi outra: só embarcaram 138 milhões. Portanto, faltaram 10 milhões de passageiros para custear o sistema.

Multiplicando 10 milhões de passageiros pelo valor da passagem (R$ 3,70), isso significa que faltaram mais de R$ 35 milhões para pagar o serviço. Diante disso, de nada adianta argumentar que o 13° salário está provisionado na tarifa. Estaria se a projeção de passageiros se confirmasse. Como isso não ocorre, os recursos nem entram no caixa das empresas.

“As empresas do transporte coletivo de Curitiba e Região não estão dando a mínima para os motoristas e cobradores, e muito menos para os milhões de usuários do transporte coletivo. É um descaso total, um jogo de empurra-empurra, em que ninguém assume responsabilidades”, lamenta o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira.

O Setransp ainda informou que está fazendo todo o esforço para cumprir com o pagamento do benefício e, por isso, vem buscando conversas com o poder público para juntos encontrarem uma solução.
O Sindimoc afirma que vai continuar cobrando e pressionando as empresas para que nenhum problema seja transferido ao bolso dos funcionários.

A Tribuna do Paraná procurou a Urbs, mas até o fechamento da reportagem não conseguimos contato com a assessoria de imprensa.

Foto: Marcelo Andrade.
Anderson Teixeira, presidente do Sindimoc, lamenta a situação. Foto: Marcelo Andrade.