Uma mulher de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, apareceu em uma live no Facebook de uma página de notícias locais e prometeu a cura do coronavírus (covid-19) com uma receita divina. A fake news veiculada na noite de segunda-feira (11) provocou reações da Secretaria Municipal de Saúde, que encaminhou denúncia crime contra mulher ao Ministério Público (MP).

A administração do município diz estar preocupada com uma possível intoxicação da população, caso resolvam seguir as indicações falsas de cura. A receita divulgada incluía água clorada, água oxigenada e vinagre, que deveriam ser ingeridos após uma mistura de quantidades específicas.

+ Leia mais: “Todos os 75 bairros de Curitiba têm casos confirmados de coronavírus”, diz secretária de saúde

Segundo o administrador da página de notícias Piraquara News, Daniel Pinheiros, a mulher, que se dizia naturalista das ervas, o procurou afirmando que tinha dicas importantes para auxiliar a combater a nova doença. “Não imaginava que ela iria dizer tudo o que disse”, explicou o dono da página. O vídeo da live foi retirado do ar na tarde de quarta-feira (13). Mesmo assim, por um aplicativo de mensagens, o trecho da live em que ela diz que a receita veio de Deus se tornou meme.

A preocupação da Secretaria de Saúde é que a informação se espalhe e prejudique as pessoas. De acordo com a secretária Gláucia Buss Guimarães, a orientação é que as população procure somente as fontes oficiais para se consultar sobre o coronavírus. “A própria prefeitura de Piraquara disponibiliza um site para esse tipo de busca (www.piraquara.pr.gov.br/coronavirus). Há também o disque covid para o orientação sobre sintomas (3590-3722)”, explicou.

A prefeitura informou que acionou o Ministério Público assim que soube do conteúdo da transmissão da live. A prática do curandeirismo é considerada crime contra a saúde, pelo Código Penal Brasileiro.

Divulgação de fake news

Assim como já informou uma reportagem da Tribuna do final de março, nunca as fake news foram tão perigosas quanto agora, na pandemia do coronavírus. São mensagens de toque de recolher, decretos do governo que não existem, curas milagrosas do covid-19, relatos de pânico nos hospitais e outras.

+ Veja também: Sanepar sobre aumentos repentinos nas contas: “ninguém deve pagar pelo que não é devido”

Mais do que nunca, é preciso ter muito cuidado no que se compartilha nas mídias sociais para não piorar ainda mais a situação na pandemia. E vale ressaltar. Criar ou propagar notícias falsas na internet pode configurar crime. 

“Hoje ainda não existe uma legislação tipificando a fake news em si como um crime. Mas o que acontece é que a fake news se enquadra em outros crimes, como difamação, calúnia ou até mesmo crimes contra a vida e a saúde”, explicou para a reportagem o advogado Guilherme Guimarães, especialista em direito digital, que colaborou na redção do Marco Civil da Internet, promulgado em 2014.

Central 156 prejudicada

Em reportagem do dia 16 de abril, a Tribuna mostrou que o risco de transmissão pelo novo coronavírus fez muitos curitibanos procurarem o serviço da Central 156, da prefeitura de Curitiba, em busca de informações sobre a doença.

Porém, diante de tantos pedidos por informações, ligações inusitadas têm atrapalhado o serviço de teleatendimento. De receitas caseiras a orientações sem nenhuma comprovação científica. Vale ressaltar: ainda não existe nenhuma vacina e nem remédio para prevenir ou curar a covid-19 – a única forma mais eficaz de prevenção no momento é o isolamento social.


A Tribuna precisa do seu apoio! 🤝

Neste cenário de pandemia por covid-19, nós intensificamos ainda mais a produção de conteúdo para garantir que você receba informações úteis e reportagens positivas, que tragam um pouco de luz em meio à crise.

Porém, o momento também trouxe queda de receitas para o nosso jornal, por isso contamos com sua ajuda para continuarmos este trabalho e construirmos juntos uma sociedade melhor. Bora ajudar?