Três dias depois de ficar presa em um elevador que “despencou” no Centro de Curitiba, Antônia Ferreira da Costa, de 61 anos, conta como foram os momentos de terror. “Eu não sabia o que estava acontecendo e só esperava que o elevador continuasse caindo. É um milagre eu ter sido resgatada sem nenhum arranhão”, conta a moradora do Edifício Dom José, localizado na Rua José Loureiro, próximo à Praça Carlos Gomes.

Segundo ela, tudo começou após o almoço da última sexta-feira (30), quando ela saiu de seu apartamento no 13º andar para ir ao banco. “Eu entrei no elevador sozinha, encostei em um canto e acionei o botão do térreo. Comecei a descer normalmente enquanto pensava nas coisas que eu tinha que fazer naquela tarde. Aí percebi uma freada muito forte e, ao olhar para a porta, vi que o elevador tinha parado na descida entre o 7º e o 6º andar. Dava pra ver o concreto separando um piso do outro”, contou.

Sem saber o que estava acontecendo, ela continuou encostada no elevador e percebeu o silêncio ser quebrado por muitos estrondos. “Começaram a cair vários cabos na parte de cima do elevador. Eu acredito que eles se desprendiam no último andar e despencavam com muita força até alcançar o teto acima da minha cabeça porque o barulho era ensurdecedor como se fosse uma chuva de pedras”.

Ouvindo tanto barulho, a moradora começou a imaginar que o prédio estivesse em chamas e que algo tivesse explodido. “Alguns cabos chegaram a entrar no elevador pelas frestas e eu não encostei em nenhum deles com medo de que pudessem estar energizados. Então, quando o barulho cessou e eu percebi que o elevador dava osciladas como se estivesse se soltando, comecei a gritar por socorro”.

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Uma vizinha que também aguardava para subir no elevador foi a primeira a ouvir o pedido de ajuda. “Ela chamou os bombeiros e falou pra eu ficar calma porque eles já estavam a caminho. Não tenho noção do tempo que fiquei ali, mas me falaram que foi aproximadamente meia hora até ouvirmos o barulho das sirenes. Pra mim, aquele som era o barulho da salvação”, afirmou Antônia, que continuava em pé.

“Não tinha como sair, mas, mesmo se algum morador conseguisse abrisse um buraco, eu não tentaria passar por ele porque o elevador podia cair e me prensar. Então, aguardei os bombeiros subirem, analisarem a situação e me garantirem que estava seguro. Um deles se debruçou e pediu pra eu escalar a parede até pear na sua mão. Eu dei um pulo com muita força e ele pediu pra eu me acalmar. Eu queria sair dali o quanto antes e nem sabia o que estava fazendo”, disse sorrindo.

Pressão nas alturas

Antônia foi puxada para fora e encontrou diversos repórteres e vizinhos à sua espera. “Não imaginei que tinha tanta gente ali. Isso me deixou ainda mais nervosa e minha pressão subiu bastante. Tive que ser atendida na ambulância e fui para uma Unidade de Pronto Atendimento”.

Ela foi medicada e, poucas horas depois, já estava em casa na companhia dos filhos e netos. “Agradeço muito a Deus pelo elevador ter parado ali e por Ele ter segurado aqueles cabos para que não despencasse tudo e acontecesse o pior”, pontuou Antônia, que está passando a semana em um sítio na cidade de Fernandes Pinheiro, a 120 quilômetros da capital. “Fiquei com muitas dores musculares devido à tensão. Agora vou descansar e aproveitar cada momento que eu tiver daqui para frente”, prometeu.