O corredor ecológico projetado pelo governo do Paraná com as prefeituras da Região Metropolitana de Curitiba para preservar 21 quilômetros quadrados do entorno do Rio Iguaçu, de Balsa Nova a Piraquara – projeto batizado como Reserva Hídrica do Futuro – vai resultar na criação do maior parque da capital paranaense. O espaço terá 5 quilômetros de extensão por 1 quilômetro de largura, o que representa oito vezes a área do Parque Barigui, hoje o maior da cidade.

O projeto também vai interligar as antigas cavas de mineração da região para garantir captação de água em períodos de crise hídrica, já que 65% da área é alagada. As cavas da futura reserva são capazes de reservar 43 bilhões de litros de água.

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Em Curitiba, o “grande parque” será construído pela prefeitura na Região Sul, entre a Rua Nicola Pellanda e a BR-116, abrangendo bairros como Umbará, Caximba e Campo de Santana nas proximidades do Contorno Leste.

O plano da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) é abrir para o público pelo menos parte do espaço já no fim de 2022. Porém, a estrutura só deve ficar completamente pronta no fim da atual gestão na prefeitura, em 2024. “A área é muito grande e dependemos das negociações com os donos do terreno, que podem evoluir para desapropriações ou até permutas”, explica Sérgio Matheus, um dos arquitetos da SMMA que trabalha no projeto.

Novo parque unirá reserva hídrica a estruturas de lazer

A nova área de lazer será oito vezes maior do que o Parque Barigui e quatro vezes maior do que o Parque Náutico no Boqueirão, sendo boa parte formada pelo lago. A orla do lago terá ciclovia, pista de caminhada, área gramada, além de equipamentos urbanísticos como bancos e lixeiras e a via de acesso ao parque.

O nome do novo parque curitibano ainda não foi definido. Os técnicos da SMMA avaliam os atrativos da área para definir a nomenclatura. “O nome tem que ser um ícone para a região e o parque tem que ter um atrativo que se destaque, como a cascata do Tanguá ou o Memorial Ucraniano do Tingui”, explica o arquiteto.

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Uma possibilidade é o nome surgir da própria fauna e flora do local. “Essa é uma área com uma várzea de quase 3 km de largura verde e inexplorada. É quase um mini Pantanal de variedade ecológica”, ilustra Fernando Canalli, outro arquiteto da SMMA que trabalha no projeto. “Com o parque estamos nos antecipando para que aquela região não tenha ocupações irregulares e nem a derrubada de maciços vegetais”, enfatiza Canalli.

Modelo do parque de Curitiba interessa a Fazenda Rio Grande

Projeção de como ficaria o parque. Foto: Prefeitura de Curitiba

De acordo com os arquitetos da SMMA, o parque de Curitiba poderá servir inclusive de modelo para os municípios vizinhos instalarem suas estruturas na Reserva Hídrica do Futuro. Uma das prefeituras que já se interessou pelo projeto da capital é Fazenda Rio Grande, que pretende fazer um parque vizinho ao de Curitiba, do outro lado do Rio Iguaçu.

O secretário municipal de Meio Ambiente de Fazenda Rio Grande, Elias Belarmino Correia, explica que o parque já consta na elaboração do novo Plano Diretor – o conjunto de ações que vai definir as intervenções no município nos próximos anos. Além disso, a prefeitura assinou pré-convênio com o governo do estado para que o novo parque seja feito dentro dos padrões a serem estabelecidos pela Reserva Hídrica do Futuro, cujo decreto de criação e o plano-diretor estão sendo concluídos pelo governo do estado.

“Para Fazenda Rio Grande interessa ter mais uma área de lazer, além da questão ambiental da Reserva Hídrica do Futuro, que é a principal. Basta ver os parques que já temos, que ficam lotados nos finais de semana, já que são os únicos locais de lazer da população porque não temos shoppings e outras opções”, aponta Correia.

Governo do PR irá construir quatro parques da “Reserva Hídrica do Futuro”

Também em 2022 deve ser inaugurado o Parque Natural do Iguaçu, em Araucária. Esse será um dos quatro parques a serem construídos pelo governo do Paraná na Reserva Hídrica do Futuro. Os outros parques serão em Piraquara e dois em São José dos Pinhais.

O parque de Araucária terá aproximadamente 191 hectares – o equivalente a cerca de 191 campos de futebol oficiais. A construção da estrutura já está em licitação e consta de ciclovia, pista de caminhada, quadras esportivas, academia ao ar livre e bosque.

“Concluímos o projeto executivo e vamos revisar a licitação no primeiro trimestre de 2022 para entregar o parque em Araucária até o fim do ano que vem”, explica Gilson Santos, presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), órgão estadual que coordena ações na RMC.

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Para 2023, a previsão é de mais uma estrutura de lazer, dessa vez em Piraquara, que se chamará Ambiental e será vizinho ao Parque das Águas de Pinhais, com acesso pela Rodovia João Leopoldo Jacomel. Segundo a Comec, o edital de licitação da obra será publicado em 2022 com previsão de que fique pronta até 2023. A área de 81 hectares terá praticamente a mesma estrutura do parque em Araucária.

Os dois parques da Comec de São José dos Pinhais, por sua vez, ainda não têm previsão. A licitação do projeto executivo para a obra ainda não foi feita porque o governo ainda negocia a área com os proprietários do terreno.

Ampliação do Parque das Águas, em Pinhais

O Parque das Águas em Pinhais também será integrado à Reserva Hídrica do Futuro. Também construído em área de cava pela prefeitura, o parque dá uma ideia da demanda reprimida por lazer na Região Metropolitana.

Desde que foi inaugurado há exatamente três anos, o parque lota aos finais de semana não só de moradores de Pinhais, mas também de cidades vizinhas como Piraquara, Colombo, Quatro Barras e até Curitiba. O que levou a prefeitura a investir ainda mais na estrutura.

“O Parque valorizou Pinhais. Aquela era uma área perdida, que não tinha condições de construir praticamente nada, porque é quase toda alagada. As cavas serviam praticamente para jogar carros velhos. Com o parque, o município deu utilidade à região”, aponta o secretário de Governo da prefeitura de Pinhais, Ricardo Pinheiro.

Parque das Águas completa três anos atraindo frequentadores não só de Pinhais mas também das cidades vizinhas.| Cassiano Rosario/Gazeta do Povo/arquivo
Hoje o Parque das Águas tem como opções de lazer a pista de corrida, ciclovia, um mirante, uma área para cachorros e pesca, já que a prefeitura abastece o lago com peixes. Em 2022 a prefeitura de Pinhais planeja dobrar o número de vagas no estacionamento para 400, além de concluir a construção de quadras poliesportivas, um novo mirante e uma pista de skate e mais uma de caminhada.

Em 2024, o plano é construir um pavilhão de eventos no parque, o qual poderá ter a administração concedida à iniciativa privada por meio de concessão, a exemplo da estrutura do Parque Barigui em Curitiba gerida pela montadora Renault.