Quem passa pelo trecho da Linha Verde (BR-476) que vai do bairro Tarumã ao Hospital Vita, no Bairro Alto, em Curitiba, se pergunta quando a obra vai acabar e o trânsito será liberado por ali. Isso porque, à noite, já é possível ver os postes de iluminação com as lâmpadas acesas, canteiros já com algumas flores plantadas e uma movimentação constante de trabalhadores durante o dia.

Segundo a prefeitura, a previsão é de que as obras nesse trecho, chamado de Lote 3.1, acabem entre junho e julho deste ano. A promessa da administração municipal, de certa forma, gera desconfiança, já que a conclusão geral das obras na Linha Verde vive um atraso de 14 anos, por uma série de fatores como mudanças de projeto e realização de novas licitações para tocar as obras.

LEIA MAIS – Sumiço de Guilherme Caramês completa 30 anos sem respostas. “Continuo esperando ele chegar”

Luiz Henrique Azevedo Oliveira, 43 anos, empresário do ramo automotivo, afirma que percebe mais gente trabalhando no trecho mencionado pela reportagem. A empresa de Oliveira é familiar e existe desde 1988, na esquina das ruas Deputado Antônio Lopes Júnior e Gustavo Rarttman, onde fica a trincheira da Linha Verde já em funcionamento. Ou seja, ele acompanha tudo de perto e é taxativo em sua opinião sobre a conclusão do trecho.

LEIA MAIS SOBRE A LINHA VERDE

> Trecho polêmico e demorado da Linha Verde tem trânsito alterado. Veja como fica!

> Prefeitura e governo negociam duas trincheiras e viaduto em “Y” na Linha Verde

> Trincheira que liga Bacacheri ao Bairro Alto recebe as últimas vigas

> Congestionamentos na Linha Verde Norte vão até o fim de 2021 se obras não atrasarem

“A parte da rodovia até pode ser que se concretize em julho. Você vê o pessoal colocando plantas, colocando grama e colocando radares. Isso a gente vê. Mas a outra trincheira, que vai sair do Bacacheri para o Bairro Alto, isso eu já duvido. Tem gente trabalhando? Tem gente trabalhando, coisa que não tinha antes, mas, se sair, vamos estar no lucro”, reclama Oliveira, já descrente por causa de tanto atraso.

Ainda de acordo com ele, a expectativa dos motoristas e moradores só cresce sobre como as mudanças no trânsito vão impactar no fluxo da região. “Vamos ver como essa mudança vai acarretar para nós, comerciantes e moradores. Existe uma preocupação em volta disso. Vai mudar o fluxo, os sentidos de rua, vai gerar confusão num primeiro momento? Queremos que os clientes não sejam prejudicados também”, argumentou Oliveira.

O empresário Luiz Henrique Azevedo Oliveira atua na região e acompanha as obras de perto. Foto: Alex Silveira/Tribuna do Paraná

Deslocamento mais fácil

Segundo a prefeitura de Curitiba, a liberação da pista, com a finalização do Lote 3.1, permitirá melhorar os deslocamentos na região com ajustes no trecho viário próximo das intervenções. A informação foi repassada no dia 20 de maio de 2021, durante apresentação do projeto a representantes da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A Linha Verde conta com 22 km de extensão e é o 6º eixo de integração viária que liga Curitiba do Pinheirinho ao Atuba (Sul/Norte).

VEJA TAMBÉM – Polícia procura mulher que fugiu após grave acidente com motoboy em Curitiba

Ainda de acordo com a prefeitura, a obra nesse lote compreende pavimentação das pistas de rolamento, marginais e canaleta exclusiva do transporte coletivo, implantação de passarela metálica na região do cruzamento com a Rua Dante Angelote e das estações-tubo Vila Olímpica e Fagundes Varela. “As obras ainda estão em andamento e tem a previsão de serem concluídas entre este mês de junho e o próximo mês de julho”, diz a nota da Secretaria Municipal de Obras Públicas da capital.

LEIA AINDA – Estações-tubo no Capão Raso agora servem de parada para o ligeirão Norte-Sul

Há mais de 14 anos, as obras da Linha Verde, já consideradas “intermináveis” pelos moradores da capital, causam diversos transtornos no trânsito curitibano. Congestionamentos constantes, novas licitações e desconfiança no cumprimento de prazos já foram temas de reportagens na Tribuna. Por isso, além de querer a conclusão da obra, o militar da reserva da Marinha do Brasil, Marcelo Belniaki, 50 anos, pede transparência.

“Um mundo mais transparente. Quem é do governo e faz uma obra que não acaba, fica devendo ao cidadão. Tinha que estar tudo na internet, só que mais aberto do que é hoje. A gente espera que esta empresa que está aí acabe a obra. Que seja tudo sinalizado, que tenha radar, a população que usa a Linha Verde merece isso”, conclui Belniaki, que mora nas proximidades da Igreja Batista do Bacacheri.

Veja fotos da situação atual na Linha Verde