Pacientes que procuram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Boa Vista, em Curitiba sofrem com a demora no atendimento. Superlotada, a unidade registra espera de mais de sete horas, conforme informava o letreiro da sala de espera do local na noite desta terça-feira (19).

A dona de casa Viviane Alves foi uma das pessoas que procuraram atendimento e saíram frustradas do local. Ela conta que foi à unidade buscando atendimento para a filha, Bianca, de 13 anos, por volta das 18h30. Quando viu o painel, a previsão de tempo de espera era de 6 horas e 11 minutos.

Porém, quando pediu informações, foi avisada que levaria ainda mais tempo para que os cuidados médicos fossem, de fato, prestados à menina. “Me disseram que minha filha seria atendida a partir das 4 da manha. Levei ela embora, porque não vou ficar até as 4 aqui, vou cuidar dela em casa. Se não melhorar, eu tomo outras providencias amanhã”, relatou.

A justificativa, segundo ela, era de que a procura tinha sido muito grande naquele dia, e que a equipe médica seria insuficiente para atender todos os pacientes com agilidade.

Viviane Alves ficou cerca de duas horas no local, mas teria que esperar quase 10 se quisesse ver a filha atendida. Foto: Lineu Filho
Viviane Alves ficou cerca de duas horas no local, mas teria que esperar quase 10 se quisesse ver a filha atendida. Foto: Lineu Filho

A situação foi generalizada, além da pediatria. Viviane conta que viu diversos casos de falta de atendimento nas quase duas horas que permaneceu no local, e se disse triste com o que presenciou. “Tinha pessoas desde as 14 horas esperando, um senhor estava desde as 16 horas, ali fora, com pneumonia. É de cortar o coração”, desabafou.

A dona de casa relata que havia por volta de 100 pessoas no local quando ela chegou, sendo que 30 delas eram crianças em busca de atendimento pediátrico. Com o acúmulo de pessoas, as instalações da UPA não foram capazes de abrigar todos que esperavam atendimento, e muitos ficaram do lado de fora aguardando, sob condições até insalubres. “A situação é de extrema precariedade. A quantidade de criança doente nesse lugar. Tem gente pra fora da pediatria, com tosse, chorando, com dificuldade de respirar as vezes. Adultos e idosos também, aqui nas cadeiras com dor. É muito triste”.

Resposta

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde informou que as filas se formaram pela grande procura de pacientes com problemas não urgentes. Segundo a prefeitura, o quadro de médicos do dia estava completo, com os oito profissionais trabalhando. A administração municipal afirma que 83% dos atendimentos das UPAS são para pacientes com problemas não-emergenciais, o que acaba sobrecarregando o sistema.

Explosivos, fuzis e muito dinheiro são encontrados pela polícia em ‘QG’ usado por quadrilha