O WhatsApp anunciou uma nova modalidade que promete revolucionar o aplicativo no Brasil: em breve, será possível fazer transferências de dinheiro pelo programa de mensagens.

Será o WhatsApp Pay ou, em português, o WhatsApp Pagamentos. A modalidade anunciada está com a operação suspensa no momento, por determinação do Banco Central, que ainda está avaliando os arranjos do sistema. A nova função deve desburocratizar as transações financeiras, mas também liga o alarme para a expansão de golpes.

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As operações serão processadas pela Cielo e o usuário precisa cadastrar cartões de débito e crédito das bandeiras Visa e Mastercard emitidos pelo Banco do Brasil, Nubank ou Sicredi. Pessoas físicas também poderão enviar dinheiro e fazer compras sem taxas. Três dos maiores bancos que operam no Brasil levantaram queixas do sistema ao Banco Central: Bradesco, Itaú e Santander.

Entretanto, a inovação já é vista no setor de tecnologia como um grande passo para o WhatsApp se transformar em um “super app”, facilitando negociações principalmente de pequenos empreendimentos. O Brasil será o primeiro país que terá a modalidade de pagamentos, justamente pelo aplicativo ser tão popular aqui. São 120 milhões de usuários ativos utilizando o mensageiro por dia. 

Segundo o advogado Guilherme Guimarães, especialista em direito digital e colaborador da redação da lei do Marco Civil da Internet, a grande vantagem do WhatsApp Pay é aproximar o pequeno negócio do seu consumidor final. “Por exemplo, uma empresa de porte médio, uma doceria, que quer entregar o seu produto para o cliente. Como o contato geralmente é feito geralmente pelo WhatsApp, vai facilitar a transação. Você não tem aquela burocracia”, prevê o especialista.

Mais golpes

Além da inovação, há o outro lado da moeda. O WhatsApp será mais visado ainda para a prática de golpes. “Com certeza os números de golpes vão explodir no aplicativo”, explica Guilherme Guimarães, advogado especialista em direito digital e colaborador da redação da lei Marco Civil da Internet.

O WhatsApp já é um dos alvos de golpistas virtuais, principalmente durante a pandemia. O modo de operação funciona da seguinte forma. A vítima deixa o número do seu celular exposto na Internet em sites de compras, como o OLX; o bandido cadastra o número no WhatsApp em outro celular; o WhatsApp envia um código SMS pro celular da pessoa; o bandido liga para a pessoa e com alguma mentira, pede esse número de SMS e consegue acesso ao WhatsApp da vítima. Desta forma, o esteleonatário pode entrar em contato com outras pessoas e pedir transações em dinheiro. 

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Uma forma de evitar isso é fazer uma autenticação em dois fatores no WhatsApp, que cria uma senha sempre que algum usuário for acessar o mensageiro. “O que surpreende é que o Facebook, que é proprietário do WhatsApp, já deveria ter trabalhando nesse tipo de vulnerabilidade, antes mesmo do lançamento dessa nova ferramenta. É preciso criar uma camada a mais de segurança”, analisa o advogado.


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