Luiz Carlos Nadolny, 50 anos, réu confesso de matar a filha Aline Miotto Nadolny, foi condenado a 30 anos, nove meses e 22 dias de prisão. O julgamento que definiu a pena ocorreu na quinta-feira (10) e durou nove horas. O crime ocorreu há dois anos, quando o corpo da terapeuta ocupacional, foi encontrado ao lado da Colônia Penal Agrícola em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. A defesa promete recorrer da decisão.

No julgamento, o réu foi ouvido por videoconferência, pois se encontra preso desde 2019. Relatou que no dia do crime tampou a boca da filha para que ela não gritasse e saísse do carro. Depois disso, o pai afirmou que filha desmaiou e ele não se lembra o que ocorreu depois. O motivo da morte seria uma discussão sobre pensão alimentar da irmã mais nova da vítima.

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A defesa de Luiz Carlos Nadolny disse ao site G1 que irá recorrer da decisão e considerou a pena “exacerbada”. Os advogados da família da vítima afirmaram que o conselho de sentença acolheu “a única solução possível diante da amplitude de provas apresentadas”. Luiz Carlos Nadolny foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, asfixia, dificultar a defesa da vítima e feminicídio, além do crime de ocultação de cadáver.

O crime

Aline Miotto Nadolny teve o corpo encontrado por crianças que voltavam da escola no dia 6 de junho de 2019. O corpo estava deitado de bruços no final da Rua Coronel Romão Rodrigues de Oliveira, na Vila Militar. A região fica próxima ao Complexo Penal, onde ela trabalhava.

Segundo o superintendente da Polícia Civil de Piraquara, Job de Freitas, no corpo existiam sinais de sangue no rosto e marcas de esganamento no pescoço, que foram feitos com cachecol dela. Segundo a investigação policial, Luís Carlos Nadolny desejava diminuir o valor da pensão que pagava para outra filha adolescente.

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“Ele foi atrás dela com esta intenção, mas ela se recusou a entrar na briga dos pais. Aí ocorreu uma ação de fúria e partiu para cima dela. A esganou até o fim e, quando se deu conta, Aline já estava morta. Antes de morrer, ela falou eu te amo para o pai”, disse Reinaldo Zequinão, Delegado da Delegacia de Piraquara.

Após o crime que aconteceu no bairro Alto da XV, em Curitiba, o pai se mostrou arrependido e saiu perdido e parou apenas em Piraquara. Nas investigações, a Polícia Civil recebeu uma denúncia que um Sandero vermelho passou de maneira estranha pela região da Colônia Penal Agrícola. A partir daí, foi verificado que o pai de Aline possuía um veículo com características semelhantes relatados por uma testemunha.

Sandero vermelho conduzido pelo pai e assassino tinha a seguinte mensagem: "Não desista, pois Deus não desistiu de você". Foto: Gerson Klaina.
Sandero vermelho conduzido pelo pai e assassino de Aline. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

A prisão ocorreu em um momento em que Carlos Nadolny entrava em um veículo de aplicativo de caronas. Ao ser ouvido na delegacia, Luís Carlos confessou o crime. “Ele sabia a rotina da filha, mas não tinha a intenção. No entanto, terá que responder por este ato cometido sem pensar”, relatou o delegado de Piraquara.