Zequinha, o mais curitibano de todos os piás, está de volta. Próximo de completar 100 anos de existência, o palhaço que fez sucesso por várias gerações retorna aos álbuns prometendo inovar nas figurinhas, sem deixar de lado o seu amor incondicional por Curitiba. São 200 imagens que relatam o dia a dia de um personagem que levou o nome da capital paranaense para vários lugares além da imaginação. Zequinha de máscara e álcool gel, Zequinha fazendo selfie e até uma figurinha rara são algumas das novidades deste quarto álbum da história deste simpático piazão do centro da capital paranaense.

As figurinhas das Balas Zequinha tem a assinatura de Nilson Müller, 79 anos, ilustrador, artista plástico e que em 1979, provocou agitação na sociedade curitibana ao desenhar imagens do palhaço. O novo álbum tem um perfil mais moderno, sem esquecer dos clássicos do Zequinha. São 23 páginas que retratam o dia a dia do palhaço desde ao acordar, viajar, praticar esportes, trabalhar e tantas outras atividades. Figurinhas coloridas com legendas positivas tem o Zequinha tomando café, jogando vídeo game, economizando água, organizando a casa, tocando violão, praticando jiu jitsu, fazendo churrasco, conhecendo cidades e países e muito mais.

Nilson Müller, 79 anos, ilustrador, artista plástico e que em 1979, provocou agitação na sociedade curitibana ao desenhar imagens do palhaço. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Aliás, Curitiba ganhou duas páginas inteiras com os pontos turísticos sendo visitados por Zequinha e tem na figurinha número dez, a mais difícil de se achar dentro dos envelopes. O desafio de voltar a desenhar o Zequinha animou o Nilson que não esquece as dificuldades que enfrentou há 42 anos atrás. “No álbum de 1979, a figurinha mais complicada era a número 10, do músico. Lembro que muita gente pedia e eu não tinha acesso. Agora a mais difícil segue sendo a 10, a do Zequinha no Passeio Público, uma homenagem ao aniversário de Curitiba. É um ponto que foi revitalizado e merece destaque. Colocamos o Zequinha no século XXI e procuramos dar a ele um jeito mais otimista até pelos tempos atuais que estamos vivendo”, confessou o artista.

Zequinha retorna em um período diferente da sociedade e enfrenta a pandemia. Naturalmente, a covid-19 não poderia ser esquecida pelo palhaço e principalmente, os cuidados que precisam ser tomados para não ser infectado. Vale reforçar que Zequinha faz parte do grupo de risco. “Meu filho Nilson e minha nora Kátia estão atentos a tudo e na pesquisa tivemos que usar a pandemia. Zequinha aparece de máscara de proteção e próximo a um frasco de álcool gel em uma figurinha. Tem outra até que ele está em casa como influenciador digital e home office”, disse Nilson que retratou o palhaço com 208 figuras somando ao currículo a criação do personagem Zé Gotinha, um pedido do então ministro da Saúde e ex-deputado federal Luiz Carlos Borges da Silveira, em 1987.

Produtos Zequinha

Os responsáveis pelo retorno do palhaço são os empresários Robson Krieger e João Luís Teixeira, sócios Sambay Express. Além do álbum e das figurinhas, o portal irá comercializar mais de vinte produtos licenciados ligados à marca Zequinha como bonés, chaveiros, álbuns, canecas, figurinhas e máscaras. O site estará no ar até meados de abril, mas o retorno de Zequinha já mobilizou os fãs e 4000 álbuns foram reservados na pré-venda ( ver serviço abaixo).

Além disso, a loja física localizada nas Ruínas de São Francisco irá vender os itens de maneira presencial. Robson conta que o envolvimento com o Zequinha veio por acaso, mas que bateu firme no sentimento que estava escondido na memória. “No primeiro momento, fomos conversar com o Nilson Müller para desenhar a logomarca da Sambay, uma arara-canindé. Quando chegamos na casa dele, vimos dois quadros do Zequinha e ali indicou o que também estávamos procurando. Um personagem interessante que valoriza a nossa cultura. Pesquisamos na esfera jurídica e a marca Zequinha estava perdida por falta de uso, ou seja, estava livre. Fizemos um estudo e registramos. O Zequinha volta a ser valorizado e acredito que talvez seja o maior e mais original personagem da história paranaense. Vou além ainda, talvez seja o último respiro do Zequinha”, comentou Robson de 44 anos.

Vai uma bala aí!

As balas Zequinha conquistaram o público, especialmente pelos desenhos, realizados pelos artistas Alberto Thiele e Paulo Carlos Rohrbach. Foto: Reprodução/FCC.

As balas Zequinha começaram a ser fabricadas pela marca A Brandina no fim da década de 20, em um imóvel no centro de Curitiba. A atração conquistou o público, especialmente pelos desenhos, realizados pelos artistas Alberto Thiele e Paulo Carlos Rohrbach. A produção do doce foi encerrada em 1967, mas isso não significou o fim do Zequinha na sociedade curitibano.

Doze anos depois, em 1979, o governo do Paraná anunciou o retorno do palhaço em forma de álbum de figurinhas. Na época, trocava-se nota fiscal pelo álbum e as imagens do Zequinha para colar. Foi um sucesso absurdo com mais de 200 milhões de figurinhas distribuídas. O responsável pela criação das imagens foi o artista Nilson Müller, que desenhou o Zequinha mais animado e até mais “gordinho”.  Em 1980, surgiu o álbum “Caravana do Zequinha”, que não teve tanto sucesso comparado ao anterior. Já em 1986, o terceiro álbum, sendo chamado de Festival das Figurinhas Zequinha, acabou tendo um relativo sucesso usando as figurinhas das décadas de 1920 a 1960.

Serviço e valores

Para adquirir o álbum e as figurinhas, acesse lojadozequinha.com.br . O valor do álbum é R$7 e cada envelope com cinco figurinhas é R$3,50. Existe a venda do combo em R$40 (álbum + 10 envelopes). Quando flexibilizar as medidas sanitárias de Curitiba com a alteração de bandeira, as bancas também irão vender o álbum e as figurinhas do palhaço mais curitibano da história.

.