A alta no número de mortes no Paraná no mês de março provocou um fenômeno inesperado no estado – a aproximação recorde entre os números de nascimentos e óbitos, que atingiu o menor patamar da série histórica do Registro Civil, iniciada em 2003. Com 12.957 nascimentos e 11.724 óbitos, a diferença entre ambos ficou em apenas 1.233, o que equivale a 11%, e uma redução histórica de 92% desde o início da pandemia em março de 2020.

Dados do Portal da Transparência do Registro Civil constam nascimentos, casamentos e óbitos registrados pelos Cartórios de Registro Civil do país. A diferença entre natalidade e mortalidade já vinha caindo ao longo do tempo, mas acelerou com a pandemia causada pelo novo coronavírus.

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Em 2003, esta diferença era de mais de 170%, baixando para 140% na década de 2010 e abrindo 2020 com diferença na casa dos 120%. Com o início da pandemia, baixou para 103% em março, caindo para 68% em julho, 49% em dezembro e agora chegando à menor diferença já registrada, 11%. 

“Percebemos nos Cartórios de Registro Civil esta diferença gritante que aconteceu no mês de março, onde os óbitos subiram exageradamente. Para se ter uma ideia, no Cartório onde atuo fazíamos em média três, quatro óbitos no mês, e fiz mais de 30 registros de óbitos”, disse Elizabete Regina Vedovatto, presidente do Instituto do Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado do Paraná (Irpen/PR) e que atua em Colombo, na região metropolitana de Curitiba.

Já no Brasil, a aproximação recorde entre os números de nascimentos e óbitos atingiu o menor patamar com 227.877 nascimentos e 179.938 óbitos, uma diferença de 47.939, o que equivale a 27%, e uma redução histórica de 72% desde o início da pandemia em março de 2020.