A prefeitura de Curitiba foi dura na resposta à carta conjunta da Associação Comercial do Paraná (ACP) e do Sindicato das Empresas de Gastronomia, Entretenimento e Similares (Sindiabrabar) que pressiona o prefeito Rafal Greca (DEM) a afrouxar as regras com os estabelecimentos que estão fechados para prevenção do coronavírus. Para a gestão municipal, os signatários da carta “desconhecem a legislação criada em decorrência da pandemia”.

“Agora nossa reivindicação é solicitar ao governo municipal, na pessoa do prefeito Rafael Greca de Macedo, é o apoio explícito para a rápida abertura do comércio com procedimentos e fiscalização sanitária para Curitiba, nos auxiliando com sua equipe técnica a estabelecer procedimentos mínimos, pois em que pese não termos determinações de fechamento, não tivemos manifestação de apoio, nem da equipe técnica da prefeitura”, diz a carta da ACP e Abrabar.

Na manhã desta quarta-feira (15), a prefeitura listou em seu site 130 motivos determinados em decretos para o comércio não essencial continuar fechado durante a pandemia. Projeção da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) é de que o pico da contaminação na capital seja entre o fim de abril e o começo de maio, o que repaldaria o posicionamento da prefeitura.

Apesar da resposta incisiva, a prefeitura se comprometeu a levar a reivindicação da ACP e Abrabar para ser examinada pelo Comitê de Técnica e Ética Médica. No documento, assinado pelo presidente da ACP, Camilo Turmina, e pelo presidente do Sindiabrabar, Fábio Aguayo, o pedido é pela abertura do comércio mediante medidas dos próprios estabelecimentos com fiscalização do município para evitar a contaminação do coronavírus.

LEIA MAIS – Curitiba deve ter pico de casos de coronavírus em duas ou três semanas

No documento destinado ao prefeito, Turmina e Aguayo dizem que a reabertura é para evitar demissões em massa, bem como a falência de de diversos estabelecimentos. O pedido, segundo a carta, tem como base “depoimentos do Governo Municipal que indicava que não havia vedado a abertura do mesmo, em que pese ter definido as atividades que considerava essenciais e não colocou o comercio dentre os mesmos, tão pouco definiu nichos de comércios que sim, são essenciais”, afirma a carta da ACP e Sindiabrabar.

Você é contra ou a favor?

A Tribuna do Paraná quer saber: você é a favor ou contra a reabertura de todo o comércio no período da pandemia?Entidades pressionaram a prefeitura de Curitiba, confira: https://bit.ly/2K5SroX

Posted by Tribuna do Paraná on Wednesday, April 15, 2020

Os empresários alegam ainda que uma possível reabertura viria acompanhada de recomendações e consciência sanitária como prioridade, tendo como base procedimentos feitos para a reabertura do Mercado Municipal. “Também recomendamos a abertura em horários escalonáveis evitando aglomeração no transporte público”, diz a carta, publicada após uma notificação do Ministério Público para que a categoria voltasse atrás e recomendasse o fechamento das lojas, sob pena de processo.

Em resposta, a prefeitura enfatiza que outras autoridades, como o Ministério Público, segue com a orientação de não reabrir para evitar o contágio. “A carta, no entanto, demonstra que os signatários desconhecem o conteúdo da legislação municipal criada em decorrência da pandemia, bem como o alcance das relações institucionais entre Ministério Público e administração municipal”, diz a resposta da prefeitura enviada à Tribuna.

Além disso, o município informa que monitora diariamente a evolução da covid-19 e analisa de maneira permanente medidas que possam ser tomadas, revistas ou adaptadas no melhor interesse da coletividade curitibana. Curitiba, segundo boletim desta terça-feira (14), tem 350 casos da doença e sete mortos.

Apoio

Aguayo ressaltou que o Sindiabrabar está apoiando a causa da ACP. “Vamos estar preparados para atender aqueles funcionários que voltarem ao trabalho”, disse. Segundo ele, o setor de bares e restaurantes atualmente está funcionando com delivery e entregas no balcão. “Caso voltem, vamos atender seguindo restrições de distanciamento e higiene”, ressaltou Aguayo,

Volta ao trabalho

A reportagem da Tribuna verificou que desde segunda-feira (13) muitas lojas de produtos não essenciais estão voltando a reabrir apesar do risco do contágio, principalmente nos bairros mais afastados do Centro. O temor está principalmente entre os pequenos empresários, que temem quebrar.

“Também estou sujeita ao vírus, tenho essa preocupação, mas sou obrigada a abrir. Se fico em casa, fico preocupada. Meu pensamento se altera 60 vezes ao dia. Estamos sofrendo”, lamenta Valéria Ramos, dona de uma loja de bolsas no bairro São Braz, que não sabe como vai pagar as despesas mensais de R$ 7 mil sem lucrar um real há mais de 20 dias. “Não consigo dormir de tanta preocupação, estou com dor em tudo. O estresse emocional está muito pesado. Se não morrer do coronavírus, morro de nervoso”, desabafa Valéria.

Como prevenir a contaminação por coronavírus

  • Lavar as mãos com frequência/ ou utilizar álcool 70%, principalmente antes de consumir algum alimento;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca, higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter ambientes bem ventilados, evitar contato próximo com pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações;
  • Pessoas com sintomas de infecção respiratória aguda devem praticar etiqueta respiratória (cobrir a boca e nariz ao tossir e espirrar, preferencialmente com lenços descartáveis, e depois lavar as mãos).

Baixe o guia de prevenção para compartilhar!

Imprima esse guia em PDF com informações sobre a prevenção do Coronavírus e outras doenças respiratórias virais: