Às 14h30, milhares de pessoas já se aglomeravam na Praça do Homem Nu para festejar e lutar por seus direitos na 17ª edição da Parada da Diversidade LGBT. Rhayana Houston, 31 anos, era uma dessas pessoas e chegou desfilando em um corpete colorido comprado especialmente para o evento. “Preparei essa roupa especial e passei mais de uma hora me arrumando porque quero o fim do preconceito!”, afirma.

Assim como ela, o coordenador geral do evento, Thom Cris, concorda que passeatas como essa são necessárias para mostrar a força do movimento e ajudar cada integrante a ser aceito no meio em que vive. Por isso, o tema escolhido para este ano é “E por Falar em Juventude…”, pois é nesta fase que o preconceito começa. “É nesse momento que se descobre que é homossexual, bissexual e acaba não conseguindo acesso à escola, ao mercado de trabalho e sofre até mesmo em casa. Então, vamos juntos lutar contra essa realidade”, garante o coordenador.

Para as adolescentes Natalia Gonçales e Mariana Harue, esse objetivo precisa ser alcançado, pois os jovens necessitam de aceitação. “Eu já tinha assumido que era lésbica há três anos, mas a Natalia, não. Quando assumimos o namoro, o apoio de nossas famílias foi essencial”, pontua Mariana.

Esse apoio também foi importante para o estilista Alvez e o corretor de seguros New, que foram ao evento vestidos de Smurfs. Casados há sete anos, eles precisaram lidar com muitas mudanças e sofreram até serem aceitos pelos parentes. “Nós tínhamos família, esposa e filhos, mas deixamos tudo para trás quando nos conhecemos. No início nossos filhos não apoiaram, mas hoje eles aceitam a mudança e nos respeitam porque percebem que temos uma vida normal e somos felizes”, contam.

No entanto, eles dizem sofrer muito preconceito fora da família e utilizam a Parada para lutar contra isso. “Pra nós esse evento é muito mais do que uma festa. Estamos aqui para mostrar que queremos respeito e também aproveitamos para incentivar o uso de preservativos distribuindo centenas de camisinhas gratuitamente. Uma iniciativa nossa”.

A luta é maior

Além de apoiar o movimento LGBT, a Parada deste ano também trabalha em prol de outras causas. Segundo Thom Cris, ela aborda as pautas dos estudantes e do movimento negro. “Queremos conversar com a juventude negra e estudantil, pois, juntos, podemos fazer a diferença e acabar com qualquer tipo de preconceito”, acredita.

Esse objetivo fez com que Michel Verissimo, conhecido como Leona, também viesse à Parada. Praticante de Candomblé desde a infância, ela sabe o que é ser criticada devido à religião. “Então, se é pra lutar contra qualquer tipo de preconceito, estou aqui para levantar a bandeira contra a discriminação religiosa”, conta a participante de 24 anos, que chamou a atenção ao vestir uma roupa da cultura africana.

O evento continua

A Parada seguiu pela Cândido Abreu até o Palácio Iguaçu, onde acontecem diversas apresentações a partir das 17h. Uma das mais esperadas é da MC Mayara, que ganhou o título de Cidadã da Parada no ano passado. “O evento segue até às 20h, então convidamos toda Curitiba pra nos acompanhar nessa luta!”, finaliza Marcio Marins, coordenador cultural do evento.