As lendas que cercam o presídio do Ahú são muitas. Algumas delas de tirar o sono e todas são histórias que mexem com o imaginário. O que os agentes penitenciários que trabalharam no local contam vão de casos que realmente aconteceram até histórias que ninguém nunca vai saber se é verdade ou não. Há quem diga que o prédio centenário seja mal assombrado. Existem relatos inclusive de vários presos que morreram depois de um jogo na madrugada.

Uma das histórias, essa que realmente aconteceu, segundo o agente penitenciário Adir Santos, foi no isolamento. “Os presos se reuniram para matar um detento que estava no setor de isolamento, no seguro. Eles renderam o agente que estava de plantão, o prenderam em uma das celas e conseguiram abrir as portas todas até chegar ao preso que eles queriam”, contou.

Segundo agente penitenciário, que trabalhou por 16 anos no Ahú, esse dia sempre será lembrado. “Foi uma gritaria muito grande, porque o preso, de dentro da cela, sabia que iria morrer. Ele gritava pedindo socorro enquanto os detentos procuravam pela chave certa, mas ninguém conseguiu salvá-lo. Ele foi morto de uma forma muito brutal, extremamente brutal”.

Lendas

Adir não acredita muito nas lendas que tomam conta do presídio. Mas o também agente penitenciário Marcelo Leôncio, que trabalhou o mesmo período que Adir, não descarta que aconteceram. Embora seja do imaginário e que, ao longo dos anos, foram criadas pela população, pelos agentes penitenciários e os próprios presos, tudo que se conta é de arrepiar.

Marcelo agente penitenciário
Marcelo Leôncio, agente penitenciário. Foto: Lineu Filho

Uma das histórias que mais chama a atenção envolve a brincadeira do copo – essa ninguém sabe se realmente aconteceu. “Há quem diga que sim. Mas o que sabemos é apenas a lenda. Dizem que os presos fizeram a brincadeira do copo, invocaram almas de presos que tinham morrido ali, e no outro dia todos da cela estavam mortos”, contou Marcelo.

De bola de fogo, que um agente disse ter visto na galeria, existe ainda a lenda de espíritos no pátio do presídio. “Dizem que na sexta-feira 13, do lado de fora do presídio é possível ver as almas dos presos que morreram”.

Além disso, um agente penitenciário disse ter visto um preso, que estava no isolamento, andando pelos corredores. Na verdade, esse homem tinha se enforcado dentro da cela. “Há também a história de que habita no presídio um homem com uma cartola e que ele sai andando pelos corredores na madrugada. Eu nunca vi, se visse, sairia correndo”, brincou o agente.

Saudade

Apesar de todo o mistério, as tristes histórias do que aconteceu lá dentro e tudo que envolve o presídio, os agentes sentem falta. “No começo, senti medo, confesso, queria sair correndo. Mas depois isso se tornou nossa vida. Era gratificante você terminar o plantão e voltar para a casa, ao lado da família”.

Mesmo que seja demolido, conforme a promessa de que será, a história da Prisão Provisória de Curitiba nunca vai acabar: “Um amigo disse uma vez pra mim que tudo vira história e o presídio vai virar história. Vai ficar pra sempre na memória”, finalizou Marcelo.