O pico da pandemia de coronavírus ainda não chegou a Curitiba. Isso só deve ocorrer nas próximas semanas ou no próximo mês. O alerta é da médica infectologista Marion Burger, da prefeitura de Curitiba, após a capital alcançar 83% da lotação nas UTIs destinadas ao tratamento da doença em hospitais públicos e privados. Ainda segundo a especialista, o lockdown (fechamento total da cidade), se for adotado em Curitiba, não deverá ocorrer nas próximas duas semanas.

O alerta sobre o pico da doença estar se aproximando veio após a Secrataria Municipal de Saúde revelar os números mais recentes da doença, que já causou 120 mortes em Curitiba e que infectou pelo menos 3.773 pessoas. “Não estamos no pico da pandemia em Curitiba, ele deve ocorrer nas próximas semanas ou mês. Será um momento em que precisaremos do poder público atuando em conjunto com a sociedade”, alerta a médica infectologista da prefeitura.

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Os últimos dias estão sendo bastante difíceis para Curitiba, que passou de uma cidade vista como modelo na contenção do coronavírus para um cenário de risco de colapso. Na última segunda-feira (23), por exemplo, chegaram à ocupação máxima de suas UTIs de covid-19 o Hospital do Trabalhador e o Hospital Evangélico Mackenzie.

O cenário faz com que a prefeitura avalie usar o prédio do antigo Instituto de Medicina e Cirurgia no Paraná, no bairro Alto da Glória, para atender exclusivamente pacientes com o novo coronavírus. Caso confirme o plano, será o segundo hospital reativado pelo município para lidar apenas com casos de covid-19. Desde abril, o Hospital Vitória, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), é utilizado para o mesmo fim.

Por conta disso, Marion ressalta que a cidade entra numa situação de maratona, em que precisa contar com a ajuda da sociedade. “É importante que todos estejamos preparados para aguentar essa maratona, com toda a população. Temos que pensar na nossa saúde, numa saúde coletiva, um pensamento que tem que permear todas as ações das pessoas”, disse.

A preocupação da médica com relação às aglomerações se estende às famílias curitibanas, já que grande parte dos óbitos e dos casos confirmados ocorrem por uma relação intrafamiliar, ou seja, entre pessoas da mesma família. “Reuniões familiares não devem acontecer, infelizmente. É um período de muita provação, mas que contamos com a ajuda de todos”, alertou Burger. Evitar reuniões é importante para que pessoas assintomáticas, que não sabem ter o vírus, contaminem pessoas dos grupos de risco, como os avôs e avós. “A ajuda da sociedade é de extrema importância, pois não há como conter a transmissão do vírus se houver aglomeração”, ressaltou.

Lockdown em Curitiba?

A decisão de implantar um lockdown (quando a cidade fica completamente fechada por duas semanas) é constantemente avaliada pela prefeitura de Curitiba e será tomada de forma cirúrgica, mas isso não deve ocorrer ainda por não ser considerado o momento certo. “Fechar uma cidade é uma atitude extrema e que deve durar no máximo duas semanas. Por isso não há previsão de lockdown”, explicou a infectologista. Em entrevista, o secretário de saúde do Paraná, Beto Preto, falou sobre a tomada de medidas mais duras para Curitiba e região para frear o avanço da covid-19.


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