A Polícia Civil pretende zerar até 2020 por meio de leilões o estoque de 30 mil carros apreendidos em delegacias de todo o Paraná. Alguns destes veículos estão retidos desde a década de 1980. Além de aliviar em R$ 4 milhões por ano o gasto da corporação com aluguel de terrenos usados para depósito, a medida também vai liberar vários trechos de ruas trancados por parte desses veículos, inclusive em Curitiba e cidades da região metropolitana, onde automóveis ocupam as vias públicas por falta de espaço nos pátios.

Na capital, a situação quase fora de controle chegou a motivar um protesto feito pelos próprios policiais em fevereiro. No ato, agentes da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), no bairro Vila Izabel, exigiram a retirada de uma frota que se abarrotava até as calçadas do lado de fora da unidade. Após a mobilização, os carros foram levados para o depósito da polícia em São José dos Pinhais, o maior do estado, que abriga hoje 4 mil veículos e consome R$ 47 mil por mês somente de aluguel e não tem mais espaço para nem mais uma moto.

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A expectativa da Polícia Civil é se desfazer de todo os 30 mil veículos apreendidos até 2020. “Praticamente várias delegacias têm carros apreendidos dentro dos seus terrenos e até nas ruas ao redor”, admite o delegado e coordenador da Divisão de Infraestrutura da Polícia Civil, Gil Rocha. “Temos 32 pátios alugados para guardar esses carros. Pagamos 32 alugueis, além de vigilância privada e dos custos com manutenção, sendo que 95% do que temos ali é sucata”, observa o delegado.

A primeira etapa do projeto de limpeza dos pátios foi executada em meados de agosto e realocou carros em Cascavel, Palotina, Paranaguá. Nesta última cidade foram retirados do pátio policial e de ruas adjacentes quatro carretas, 57 veículos e 302 motocicletas, algumas apreendidas 17 anos atrás. Em Curitiba, os arredores da Central de Flagrantes, no bairro Portão, se livraram de 72 automóveis.

Leilão

Embora todos os carros, motos e demais veículos recolhidos das delegacias estejam indo para pátios alugados, o objetivo da Polícia Civil é se desfazer de todas as peças em leilão. Para isso, a corporação já inciou, junto com o Departamento de Trânsito (Detran), a identificação documental e uma triagem da frota para levantar quais unidades ainda podem rodar nas ruas e quais vão ser colocadas à venda como sucata.

“A gente tem certeza que quase a totalidade disso não dá mais para rodar. Tem de tudo nesses depósitos, carros antigos como Opala, Chevete, carcaças. Mas, antes de saber exatamente o que fazer, precisamos inventariar”, explica Rocha.

O Poder Judiciário já foi acionado para agilizar as autorizações de leilão de cada um dos veículos.

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