Com a fachada de uma residência, um imóvel abrigava 19 veículos desmanchados, na Rua Plácido de Castro, 526, no Guabirotuba. Dez deles foram identificados como provenientes de furtos e roubos e acredita-se que o restante também tenha a mesma procedência. O desmanche foi estourado ontem pela manhã, pela Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos.

O vendedor de fretes Paulo Henrique Calegaro, 35 anos, foi detido e autuado em flagrante. Ele mesmo abriu a porta para a polícia fazer a vistoria. Vizinhos já tinham percebido a movimentação constante de carros ao local, mas pensavam se tratar de ponto de venda de drogas. Como a casa possui garagem subterrânea, nenhum vizinho ouvia barulho dos veículos sendo cortados.

Investigações

O delegado Ronald de Jesus, da DFRV, explica que a descoberta se deu há cerca de 15 dias, prazo em que o imóvel estava alugado para Paulo. A DFRV investigava outros suspeitos até chegar a Paulo e começar a monitorá-lo. Ontem pela manhã, Ronald bateu na porta da residência e disse que era dos Correios.

Assim que Paulo abriu o portão, os policiais entraram e encontraram veículos picotados na garagem. Pelos quartos do imóvel, havia dezenas de peças, que lotaram a caçamba de um caminhão.

A maioria dos carros encontrados era de veículos, como Celta, Gol, Palio e Uno. Ronal conta que a preferência dos bandidos é por carros populares, porque representam maior parcela no comércio de reposição de peças.

Desde que os três grandes desmanches de Paulo Mandelli foram estourados na região, dezenas de outros pequenos desmanches se instalaram no Guabirotuba. Além de Paulo, que não tem passagens pela polícia, outros suspeitos são investigados.

Lei poderia ajudar

De acordo com o delegado Ronald de Jesus, da DFRV, uma decisão política poderia reduzir o número de veículos furtados e roubados. “Acabar com os furtos, roubos e desmanches de carros só depende da aprovação de uma lei, que está há mais de 10 anos parada no Congresso”, disse.

Para Ronald, bastaria que as montadoras fossem obrigadas a colocar os números identificadores em 25 itens dos veículos. “Hoje, no máximo cinco ou seis são identificados. Por isso, existem tantas lojas irregulares vendendo peças roubadas e encorajando os furtos e roubos. Sem a numeração nas peças, não há como comprovar sua procedência”, constatou. O policial citou o caso da Saveiro. “Começou a sair da fábrica com cerca de 20 itens identificados. Caiu o número de roubos desse modelo”, afirmou.