A Polícia Civil confirmou, através de imagens de câmeras de segurança, que o policial militar que dirigia uma viatura que atropelou e matou quatro pessoas na Linha Verde, realmente desviou de um pedestre. Apesar disso, conforme o delegado Vinícius Augustus Carvalho, da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), os dois policiais envolvidos no acidente mentiram quando disseram que estavam a caminho de uma ocorrência policial.

Essa informação, divulgada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (13), foi confirmada pela própria Polícia Militar (PM). “A própria corporação nos informou que a viatura não seguia nenhuma ocorrência policial, portanto sequer justificaria o fato de estar na canaleta”, explicou o delegado.

A Dedetran ainda não sabe em qual velocidade a viatura estava, mas a informação ainda vai ser passada quando a perícia da Polícia Científica for concluída. “As imagens que conseguimos, porém, mostram que realmente o motorista da viatura desviou de um pedestre. Depois disso, o motorista perdeu o controle e invadiu a pista contrária”.

Segundo o delegado, somente a perícia vai poder dizer se o giroflex estava ligado, mas a sirene não estava. “Inclusive testemunhas disseram isso, até mesmo um motorista envolvido no acidente”.

No detalhe, o pedestre que os policiais falaram que desviaram. Ele ainda não foi identificado. Foto: Divulgação/Polícia Civil.
No detalhe, o pedestre que os policiais falaram que desviaram. Ele ainda não foi identificado. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Falso testemunho

Como os policiais disseram ao delegado que estavam a caminho de uma ocorrência, a Polícia Civil já tem aí pelo menos um crime. “O policial que acompanhava o motorista deve responder por falso testemunho. Enquanto isso, ainda avaliaremos também por qual crime vai responder o motorista da viatura, que foi o responsável pelo acidente com as quatro mortes, a princípio por homicídio culposo, mas pode sim se transformar em homicídio doloso”.

Segundo o delegado Vinícius Augustus Carvalho, os policiais envolvidos no acidente mentiram quando disseram que estavam a caminho de uma ocorrência policial. Foto: Gerson Klaina.
Segundo o delegado Vinícius Augustus Carvalho, os policiais envolvidos no acidente mentiram quando disseram que estavam a caminho de uma ocorrência policial. Foto: Gerson Klaina.

A polícia ainda não conseguiu identificar quem era o pedestre que tentava atravessar a Linha Verde no momento do acidente. “Nós pedimos também que essa pessoa nos procure e ajude com as investigações, pois vai ser bem importante também”.

Caso a tipificação do crime em que o motorista responderá permaneça a de homicídio culposo, o tempo de prisão é de dois a quatro anos, aumentado por ter mais de uma vítima. O trabalho da Dedetran continua. “Estamos aguardando somente os laudos da perícia para que o inquérito seja concluído, como isso costuma demorar um pouco, por causa da demanda, continuamos investigando outros detalhes”. O telefone da Dedetran é o (41) 3261-6630.

Embora tenha sido a própria Polícia Militar que informou a Dedetran sobre o fato de não haver ocorrência no momento do acidente, o 20º Batalhão da PM, em nota, disse que ainda não recebeu oficialmente as informações dos autos (citadas pela reportagem) e só poderá tomar medidas técnicas, jurídicas e administrativas cabíveis, bem como se pronunciar, após o recebimento deste processo. A PM também aguarda a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) que ocorre internamente (paralelo ao criminal).

Uso das canaletas

O acidente levantou um importante alerta, não só para a Polícia Militar, mas também para os próprios policiais civis e também motoristas de ambulâncias de socorro como o Siate e o Samu. “Existe uma legislação do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que regulamenta a questão das viaturas no trânsito de prioridades. Nesse caso em especial, as viaturas só podem transitar na canaleta em situações emergenciais, com sirene e giroflex ligados”, disse Vinicius Carvalho, reforçando que “é lamentável termos que ter esse tipo de exemplo, com quatro pessoas perdendo a vida”. Veja a entrevista completa com o delegado:

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