A Secretaria Municipal de Saúde notificou nesta terça-feira (15) o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) contra a paralisação dos médicos da Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (Feaes-Curitiba). De acordo com a administração municipal, a medida tem como objetivo “coibir maus tratos por omissão de assistência à população”. Os médicos que estão em greve atendem as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o Hospital do Idoso Zilda Arns, a Maternidade Bairro Novo e Centros de Atenção Psicossocial de Curitiba (Caps).

Segundo o prefeito Rafael Greca (PMN), a paralisação, que atinge cerca de 40% dos atendimentos, não emergenciais é “abusiva e desumana”. “Estão deixando os pacientes esperando, em especial os que não estão na urgência”, afirmou o chefe do Executivo em seu Facebook. Nesta terça (15), a Secretaria Municipal de Saúde identificou espera de até sete horas na UPA do Pinheirinho.

A notificação foi construída pela Feaes após uma reunião com o CRM. A diretoria da fundação apresentou um requerimento em que pede a abertura de uma sindicância para apurar a legalidade da greve em relação à conduta médica. De acordo com a administração municipal, os médicos estão dentro das unidades de saúde e, mesmo assim, estão retardando o atendimento, o que pode ser classificado como omissão.

O Sindicato dos Médicos do Estado do Paraná (Simepar), por outro lado, garante que a paralisação não afeta os atendimentos emergenciais. Pelo menos 60% das consultas de rotina estão sendo atendidas de acordo com o protocolo de Manchester, que classifica os riscos do paciente. A greve começou no último dia 27 e, segundo a entidade, foi a última alternativa depois de um impasse no reajuste salarial.

Em nota enviada à imprensa, a Feaes alerta aos usuários do SUS que os atendimentos médicos que não são considerados de urgência e emergência podem sofrer prejuízos diante da greve deflagrada pelo Simepar. “Não se observa, até este momento, prejuízo ao atendimento dos pacientes de maior gravidade (eixo vermelho, amarelo, laranja no protocolo de classificação de risco) nas UPAs. Porém, em relação a pacientes considerados de baixo risco (eixo azul e verde), observa-se a efetivação de uma operação tartaruga por parte de alguns profissionais que aderiram ao movimento. Com isso, a espera por atendimento nas UPAs para estes casos pode aumentar”, diz a fundação.

As unidades básicas de saúde do município não são afetadas pela paralisação, uma vez que os médicos são contratados diretamente pela administração pública via concurso. A partir da greve do Simepar, a prefeitura orienta os usuários a buscar atendimentos nas unidades básicas durante a semana para casos que não sejam de urgência e emergência.