Com a nova remessa de vacinas contra a Covid-19 recebida por Curitiba na última quinta-feira (8), a secretaria municipal de Saúde informou que teve de reservar 4.790 doses do imunizante Coronavac — desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac e Instituto Butantan — para repor estoque da segunda aplicação. Segundo a prefeitura, isso ocorreu porque na 8ª remessa do imunizante, recebida ainda em março por Curitiba, os frascos vieram com quantidades menores. Ao invés de possibilitarem a aplicação de dez doses, cada frasco rendia apenas nove.

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De acordo com a secretaria municipal, esta foi a primeira vez que a cidade registra esse tipo de situação, que também já foi notificada para o Ministério da Saúde.

Procurado pela Gazeta do Povo nesta sexta-feira (9), o Ministério da Saúde encaminhou a seguinte nota: “A orientação do Ministério da Saúde é para que estados e municípios registrem no formulário técnico quando não for possível aspirar o total de doses declaradas nos rótulos das vacinas. A análise dessas ocorrências será conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

Já a Anvisa, procurada também nesta sexta, encaminhou a seguinte resposta: “A Anvisa observou um aumento de queixas técnicas relacionadas à redução de volume nas ampolas da vacina. Estes relatos estão sendo investigados com prioridade pela área de fiscalização. Estes eventos são considerados de baixo risco, por não haver risco de óbito, de causar agravo permanente e nem temporário. No entanto, todas as hipóteses estão sendo avaliadas para que se verifique a origem do problema e não haja prejuízos à vacinação em curso no país.”

Outras cidades no país identificaram o mesmo problema, como Santa Maria (RS), que registrou a redução nas doses em, pelo menos, quatro lotes da Coronavac. O déficit na cidade gaúcha foi de 3,7 mil doses.

Em Curitiba, das 84.540 doses que foram registradas como entregues na remessa em questão, apenas 77.767 puderam ser aplicadas. Isso gerou a diferença de 6.773 doses, que acabaram sendo usadas do estoque destinado à segunda dose.

Cidades em Goiás também alertaram para a redução na quantidade de doses. O alerta foi feito pela presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Goiás, Verônica Savantin, em uma reunião com o governador do estado.

“Não houve, de forma nenhuma, redução do número de doses”, diz Butantan
No começo de março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma solicitação do Instituto Butantan para que o volume do frasco da vacina Coronavac pudesse ser alterado. O frasco anterior tinha uma capacidade para 6,2 mililitros de líquido. Com a autorização da agência, o novo frasco poderia receber até 5,2 mililitros. Apesar da alteração no recipiente, cada frasco ainda poderia conter 10 doses, conforme aprovado na autorização de uso emergencial emitida pela Anvisa e na bula da vacina.

Procurado nesta sexta-feira (9) pela Gazeta do Povo, o Instituto Butantan respondeu, em nota, que não houve redução no número de doses da vacina e que cada frasco contém, nominalmente, 10 doses de 0,5 ml cada. A instituição alerta para os possíveis desperdícios no momento da retirada das doses e aplicação.

“Não houve, de forma nenhuma, redução do número de doses da vacina produzida pelo Butantan. Cada frasco contém nominalmente 10 doses de 0,5 ml. É importante que os profissionais de saúde dos municípios estejam devidamente capacitados para manusear as ampolas, retirando as doses sem desperdícios. Todas as ampolas passam por rigoroso processo de inspeção de controle de qualidade antes de serem liberadas para o Programa Nacional de Imunizações. O volume envasado por frasco está devidamente autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)”, diz a nota.