Após reclamações de passageiros sobre aglomerações em ônibus do sistema de transporte coletivo de Curitiba e região, a Urbs, empresa municipal responsável por gerir o transporte público de Curitiba, notificou a Coordenação da Região Metropolitana (Comec) e vai notificar a Associação Comercial do Paraná (ACP) para que as entidades tomem providências. O objetivo é que as duas entidades contribuam de maneira mais eficiente para melhorar o fluxo de passageiros na capital durante a pandemia de coronavírus (covid-19). A Urbs também diz que está reforçando a fiscalização nos terminais de ônibus, a fim de evitar aglomeração de passageiros.

Na sexta-feira (24), a Tribuna publicou reportagem mostrando que muitos passageiros estão tendo que enfrentar aglomerações de pessoas não só nos ônibus, mas também nos terminais e estações-tubo, o que aumenta o risco de contágio da covid-19. Na linha Centenário/Boqueirão, por exemplo, um flagra feito quarta-feira (22) por uma leitora mostra o coletivo lotado e muitos passageiros sem máscara retornando para casa após o dia de trabalho. A situação se repete também na linha Santa Ângela, que liga Curitiba a Campo Largo, na região metropolitana.

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Para tentar solucionar o problema, segundo a prefeitura, uma portaria está sendo elaborada para orientar a ocupação de passageiros nos veículos e os procedimentos de embarque. Ela deve entrar em vigor no início da semana que vem.

Enquanto isso, a Urbs informa que haverá reforço na escala dos fiscais e agentes da Guarda Municipal (GM) vão passar a fazer o controle da entrada de passageiros e dos veículos vindos da região metropolitana.

Segundo a prefeitura, os cerca de 110 fiscais ativos do órgão foram redistribuídos, concentrando-se nos horários e locais que vêm tendo mais movimento. São eles os terminais Pinheirinho, Cabral e Boqueirão e Santa Cândida. A Guarda Municipal já deu início ao trabalho conjunto na sexta-feira.

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Acúmulo localizado

Segundo o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, o volume geral de passageiros ainda está muito abaixo da capacidade da frota circulante atualmente. Mas há registros de movimento maior em períodos específicos.

Um dos motivos seriam ônibus vindo de cidades da região metropolitana – por isso, a notificação à Comec. De acordo com a Urbs, algumas linhas metropolitanas reduziram suas escalas e estão concentrando mais de um veículo fazendo o mesmo trajeto ao mesmo tempo. “Com isso, estavam ocorrendo casos de três ônibus da mesma linha, chegando ao mesmo tempo nos terminais”, explica Ogeny ao site da prefeitura.

“Há um desequilíbrio nas linhas metropolitanas que interferem diretamente nas linhas urbanas; isso está sendo corrigido”, finaliza o presidente. Segundo ele, com melhor distribuição desses veículos, evita-se a aglomeração nos terminais da capital.

Comércio sem escala

No caso da ACP, cuja notificação deve ser protocolada na segunda-feira (27), Maia Neto diz que várias lojas que reabriram as portas não estão seguindo a orientação de funcionar entre 10h e 16h. “É preciso que as lojas trabalhem de forma flexível, com os funcionários entrando de forma escalonada em diferentes horários”, diz Ogeny.

Fluxo do transporte

De acordo com Maia Neto, o sistema na capital está operando com capacidade para transportar 952 mil pessoas por dia. Somente de vagas nos assentos há mais de 236 mil. O uso efetivo está em cerca de 200 mil passagens por dia.

E aí, Comec?

Em nota a Comec informou que o monitoramento do transporte coletivo metropolitano está intensificado a fim de oferecer proporcional oferta à demanda e que estão sendo praticadas tabelas de sábados com reforços nos horários de pico, assim como anunciado pela Urbs. O órgão disse ainda que estranhou o termo notificação já seguidamente mantém diálogo sobre a operação com a capital, além do permanente pedido de Curitiba por subsídio para atender os usuários da rede integrada. O presidente da Comec, Gilson Santos, informa ainda sua total responsabilidade pelo transporte metropolitano, mas que não lhe cabe interferir na gestão de Curitiba.

E destacou ainda que desde o início do mês, sob orientação do Governo do Estado, mantém tratativas com a Faciap, ACP e Fiep sobre flexibilidade de horários em virtude da pandemia e da melhor distribuição de pessoas no transporte coletivo.

A reportagem também questionou a ACP, mas ainda não obteve resposta.