Pertencentes à população em situação de rua, colchões, cobertores e até mesmo sofás espalhados por calçadas de Curitiba foram parar em pontos de ônibus do município. A cena, que pode ser vista em vários bairros, tais como o Jardim Botânico, Alto da XV, Cristo Rei e, principalmente, no Centro da cidade, tem aumentado a insegurança para quem usa o transporte público.

O problema se agrava quando os moradores de rua que ocupam essas áreas se envolvem em agressões com usuários do transporte, como relata a camareira Luciane Vernes. Ela pega ônibus diariamente nas imediações da Praça Tiradentes e diz que já presenciou uma cena de violência na região.“Já aconteceu de um morador de rua tentar bater nas pessoas que estavam na fila, quando se aproximaram do colchão que ele tinha deixado ali”, recorda.

Situações parecidas fizeram a técnica em enfermagem Julia Day trocar o ponto em que pega o coletivo. “Trabalho na Rua Mateus Leme. A Praça Tiradentes seria o melhor lugar para pegar o transporte para casa. Ali, eu tenho cinco opções de linhas distintas”, conta ela. O medo de assaltos ou outro incidente na praça, no entanto, a tem feito andar cinco quadras a mais até uma região considerada por ela como mais segura, na Avenida Marechal Floriano. A escolha, contudo, reduz significativamente as opções de ônibus. Há apenas uma linha passando pelo local.

O aposentado Alvaro Pereira espera ônibus diariamente em frente à Catedral e comenta que conhece de perto a insegurança de usar o transporte ali. “Um morador de rua pediu dinheiro e quando eu disse que não tinha, ele me xingou e me ameaçou”, conta.

Na Rua Engenheiros Rebouças, já no trecho no Jardim Botânico, não é diferente. Quem passa pela região espera o ônibus na chuva para não dividir o ponto com moradores de rua. O mesmo ocorre na Avenida Senador Souza Naves, no bairro Cristo Rei.

Incômodo

O aposentado Alvaro Pereira espera ônibus diariamente em frente à Catedral e comenta que conhece de perto a insegurança de usar o transporte ali. “Um morador de rua pediu dinheiro e quando eu disse que não tinha, ele me xingou e me ameaçou”, conta.

Na Rua Engenheiros Rebouças, já no trecho no Jardim Botânico, não é diferente. Quem passa pela região espera o ônibus na chuva para não dividir o ponto com moradores de rua. O mesmo ocorre na Avenida Senador Souza Naves, no bairro Cristo Rei.

O mau cheiro vindo de fezes e urina nas calçadas também tem incomodado a população. “Às vezes, o cheiro fica insuportável, mesmo dentro da loja. Isso espanta os clientes, e mesmo que a gente limpe, volta a acontecer”, diz Juliana Silva, funcionária de uma loja em frente à praça.

De acordo com a presidente da Fundação de Ação Social (FAS), Larissa Tissot, nenhum cidadão tem permissão para colocar qualquer objeto que não seja pertence pessoal nas ruas e calçadas da cidade. “O morador pode ter malas, sacolas e outros itens que sejam possíveis de carregar, mas nada além disso”, esclarece Larissa.

A população deve denunciar o caso por meio do telefone 156, para que a prefeitura possa agir. Na Avenida Marechal Deodoro, por exemplo, um morador de rua passou cerca de um mês dormindo em um sofá, instalado em frente a um comércio abandonado. “Depois de um tempo chegou um veículo da prefeitura e levou o sofá embora”, conta Rosângela Martins, funcionária de uma loja na mesma rua.

Foto: Aniele Nascimento.
Foto: Aniele Nascimento.

Apoio e intervenção

Segundo Larissa Tissot, o número de pessoas em situação de rua tem crescido nos últimos anos. Um levantamento da FAS de abril de 2016, estima que, naquele ano, o número em Curitiba estava em 1715. “Para o Movimento Nacional da População de Rua, porém, essa quantidade é de cerca de quatro mil pessoas”, explica a presidente da FAS.

Boa parte desse grupo, porém, acaba recusando atendimento da FAS, que se encarrega de levar as pessoas para abrigos onde recebem banho, alimento e assistência para reintegração social. Conforme Larissa, parte dos que recusam a assistência são dependentes químicos e há casos de pessoas com ocorrência criminal. Mas a presidente da FAS alerta que não se pode generalizar. “A maior parte, inclusive, não se enquadra nesse caso”, enfatiza.

Larissa ressalta ainda que muitos dos criminosos que passam o dia no Centro de Curitiba não moram nas ruas: “Eles acabam vindo para o Centro e passando o dia todo na região, mas não dormem na calçada”.

Colaborou: Cecília Tümler