Quem nunca viu um amigo passar dos limites depois de tomar uns “góle” a mais, que atire a primeira garrafa. Agora, teve uma turma que “chutou o pau” do bom senso e abraçados com um azar desgraçado parou atrás das grades depois de desacatar um delegado de polícia em Curitiba. O caso aconteceu no último domingo, mas só agora o vídeo circulou pelas redes sociais.

Tudo começou errado. Três homens foram abordados pela Guarda Municipal de Curitiba nas proximidades do Museu Oscar Niemeyer, tradicional ponto de encontro da mocidade curitibana, mesmo em tempos de pandemia, e desacataram os oficiais. Detidos pelo mau comportamento, eles foram levados para a Central de Flagrantes da Polícia Civil, local que concentra os casos ocorridos aos finais de semana.

+ Leia mais: Curitiba retoma vacinação contra covid-19 nesta sexta com idosos de 66 e 65 anos

Enquanto aguardavam na carceragem da Central, os três demonstraram pouca educação e ofendiam quem passava pelo local, reclamando do tratamento que estavam recebendo. O delegado Rodrigo Souza estava de plantão e passou a gravar o show protagonizado pelos rapazes. Sem saberem que Rodrigo era o homem responsável pelos seus futuros nas próximas horas, eles começaram com as ofensas.

“Assumi o plantão as 21h e como sempre faço quando chego, fui me inteirar das ocorrências. Então encontrei esses jovens um pouco alterados e fui pedir para eles pararem de gritar. Naquele local, só podem entrar policiais. Um deles disse para não ‘dar ideia’, que eles eram estudantes, não tinham que estar ali e que só iam falar com o delegado. Então um me chamou de safado e ‘FDP’ e dai comecei a gravar”, disse Rodrigo de Souza à Tribuna.

Vejam o vídeo:

Durante o interrogatório os três estavam bem mais calmos. “Alguém falou pra eles que eu era o delgado e se acalmaram e pediram desculpas. O que não me xingou eu liberei para ir para casa. “Os dois “boca-dura” passaram a noite detidos e só foram liberados na manhã seguinte mediante pagamento de fiança. Todos vão responder por desatado aos guardas municipais. “Arbitrei a fiança padrão para este tipo de caso”.

Racismo?

Delegado Rodrigo Souza, da Central de Flagrantes da Polícia Civil. Foto: Arquivo Pessoal

O delegado Rodrigo de Souza fez questão de dizer isso para informar que não houve injúria racial, como dito pelas redes sociais. O que aconteceu neste caso foi o que o delegado chamou de racismo estrutural. “Não teve injúria racial, mas é uma situação que quem é preto sabe muito bem como é. O cara as vezes nem cogita ofender, mas sequer cogita que um negro pode ser delegado, por exemplo”.

Rodrigo de Souza se mostrou bastante paciente com o comportamento dos jovens. Mas disse que ainda espera o dia em que não sentirá o que sentiu e sente em situações como essa. “Minha torcida é para que cada vez menos as pessoas sejam surpreendidas ao encontrar a população negra em cargos de chefia”, lamentou.

O delegado entende que o racismo estrutural é algo entranhado na população. “É o pré julgamento que as pessoas fazem. Até eu, como negro, já fiz. Não é um comportamento exclusivo de quem é branco, de achar que determinada pessoa, por ser como é ou estar do jeito que está. de não poder ocupar determinadas funções”, concluiu