Os ânimos estão exaltados desde a fuga de presos, há pouco mais de um mês, na delegacia de Fazenda Rio Grande. Na manhã de ontem, quatro equipes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) contiveram um motim nas celas. A gritaria começou por volta das 7h. Os 71 presos, em um espaço para 24, reclamavam da qualidade da comida, da falta de assistência médica e de orientação jurídica. O superintendente Valdir Ferreira garante que a mesma comida dos presos é a da equipe policial, e que um médico esteve na delegacia na quarta-feira, atendendo a todos os presos. A Secretaria de Saúde do município, segundo Valdir, enviou todos os medicamentos solicitados, e duas estagiárias de Direito ajudam a orientar os presos sobre seus processos.

Ameaças

“Muitos receberam ameaças de presos que estão no sistema penitenciário. Eles estão desesperados para fugir, desde que receberam a informação que seriam transferidos para o sistema”, explica Valdir. A transferência de presos de delegacias para presídios foi anunciada pelo governador Beto Richa, no mês passado.

A de Fazenda Rio Grande seria a primeira a ser transformada em delegacia-cidadã e, até 16 de junho, todos os detidos devem ser removidos. Pelo mesmo motivo teria ocorrido a fuga no início de abril, quando cinco presos ganharam as ruas. Apenas três foram recapturados. Desde então, a confusão nas celas tem sido frequente.

Tentativas

Toda a carceragem foi revistada no sábado. Alguns estoques (armas brancas improvisadas com madeira) foram apreendidos e a equipe de investigação desconfiou que os presos planejavam render funcionários do Poder Judiciário para fugir. As visitas foram reduzidas e a quantidade de sacolas entregues pelas famílias aos presos também. Em uma nova revista, na noite de quinta-feira, pequenas serras e celulares foram apreendidos.

Veja na galeria de fotos o trabalho da polícia.