A vacina contra o novo coronavírus já é realidade, mas ainda não é o momento de deixar a máscara de proteção no armário. Um estudo realizado pela plataforma de conteúdo Urbideias reforça uma situação preocupante para os casos ativos em Curitiba – 75,22% das pessoas que foram infectadas estão entre 20 e 59 anos e serão os últimos a receber doses milagrosas da vacina (veja a lista abaixo). Para piorar o quadro, este grupo pertence ao principal vetor de transmissão da doença.

O estudo usou como base o painel covid-19 divulgado pela prefeitura do dia 15 de janeiro. Na oportunidade, a capital paranaense apresentava 120.529 casos positivos da doença desde o início da pandemia (atualmente está com 128.714 segundo o boletim epidemiológico da Secretaria Municipal da Saúde do dia 1° de fevereiro), sendo que 8.466 pessoas estavam com sintomas e com potencial de transmissão do vírus.

Dos infectados, a grande maioria está na faixa mais ativa da população que precisa de deslocar para trabalhar e, consequentemente, o vírus vai junto para todos os lados. Se chega em um idoso acima de 60 anos, a recuperação pode ser lenta e até mesmo levar à morte. O dado do Urbideias relata que 15,45% das pessoas desta faixa de idade que foram contaminadas, 78% morreram.

O alerta da plataforma reforça que a população ativa entre 20 e 59 anos é aquela que está sendo mais contaminada nas dez regionais de Curitiba e serão imunizados por último como prevê o Plano Nacional de Vacinação (PNL), realizado pelo Governo Federal. Apesar da autonomia de municípios, o Ministério da Saúde, orienta para que siga o ciclo de vacinação de acordo com os grupos prioritários definidos em estudos populacionais com a comunidade científica.

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Andrei Crestani, 32 anos, doutor em Arquitetura e Urbanismo e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo, é um dos fundadores do Urbideias. Os resultados deste estudo da covid-19 em Curitiba é uma forma de alerta para a população que possa estar flexibilizando os cuidados com a chegada da vacina. “Legal que chegou a vacina, mas é preciso ficar atento. A parte da população mais ativa e que está circulando na rua seja pelo trabalho ou mesmo saindo da quarentena são os maiores vetores de transmissão e estão no grupo 5 da ordem de vacinação”, disse Andrei.

Postura de cidadão

O ideal era ter vacina para toda a população e seguir imunizando rapidamente os grupos. No entanto, não tem essa possibilidade e o que resta é esperar a dose. A melhor prevenção segue sendo a máscara de proteção, higienização das mãos e nada de aglomeração. “ Nosso objetivo não é jogar a pedra, pois existem limites de gestão municipal e eles seguem determinação do Governo Federal. O prefeito não tem o que fazer, mas pode provocar outros estímulos e forma de evitar a propagação. Temos que pensar que cada um é uma cidade e precisamos contribuir. É a hora de mostrar a postura como cidadão e tem coisas que podem ser evitadas. É um alerta”, reforçou um dos fundadores da plataforma.

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E aí, prefeitura?

Segundo a prefeitura de Curitiba, a vacinação na cidade segue recomendação do Ministério da Saúde e que prioriza pessoas mais vulneráveis e que o estudo está correto ao relatar que as pessoas mais jovens estão sendo o principal transmissor.

“O Plano Municipal de Imunização de Curitiba foi planejado seguindo a recomendação do Ministério da Saúde. Está claro que a população mais jovem é a principal transmissora. No entanto, trabalhadores de saúde, moradores e funcionários de instituição de longa permanência, indígenas e idosos compõem o público mais vulnerável, ou seja, aquele mais suscetível à contaminação ou que, quando contaminado, evolui mais rapidamente para casos graves e até óbito. Por isso a decisão de conduzir a vacinação dessa forma”, diz a nota enviada para a Tribuna do Paraná.

Fases da vacinação em Curitiba

Primeira fase

Esta é a fase emergencial da vacinação que começa nesta quarta-feira, em que o público é o mais prioritário de todos pelos riscos. Serão vacinados emergencialmente os profissionais de saúde que atuam diretamente no tratamento da Covid-19, idosos que vivem em asilos e seus cuidadores, além dos cerca de 150 indígenas da aldeia Kakané-Porã, a única da capital, no bairro Tatuquara. Na sequência, ainda na primeira fase, devem ser vacinados guardas municipais, agentes funerários, equipes da Fundação de Ação Social (FAS) e estudantes de cursos de Saúde que fazem estágio na área.

Segunda fase

Na segunda fase, a vacinação será para os idosos que não vivem em asilos, além dos presos e agentes carcerários. No caso dos idosos, a prioridade vai ser para os que estão acamados e os mais velhos. Os primeiros vacinados serão os idosos acamados, seguidos por pessoas com mais de 80 anos. Na sequência, a divisão dos grupos por faixa etária é: entre 79 e 75 anos; entre 74 e 70 anos; entre 69 e 65 anos, e entre 64 e 60 anos.

Terceira fase

As pessoas cujos problemas de saúde podem agravar o quadro da covid-19 e os moradores de rua serão vacinados na terceira fase. Entre as enfermidades cujos pacientes terão prioridade estão problemas cardíacos graves, diabetes, pressão alta, obesidade, doenças neurológicas, deficiências permanentes severas, neoplasias, além de pacientes imunossuprimidos e transplantados.

Quarta fase

Os trabalhadores dos serviços essenciais serão imunizados nessa fase. Entre os profissionais estão motoristas e cobradores de ônibus, trabalhadores da limpeza pública, policiais, professores, taxistas e motoristas de aplicativos.

Quinta fase

A última das cinco fases da vacinação da Covid-19 será para os grupos que não são prioritários, ou seja, todas as pessoas que não se enquadram em nenhuma das fases anteriores. Serão vacinados na quinta fase pessoas com menos de 60 anos, conforme a idade – dos mais velhos para os mais novos.