A ansiedade para que caia o número de casos e de óbitos por coronavírus em Curitiba ainda deve durar até setembro, quando há expectativa de vacinação da primeira dose para o grupo das pessoas com 18 anos ou mais. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), uma queda considerável de casos depende do avanço da vacinação para os grupos mais jovens, que, na prática, representam a parte da população que mais circula pela cidade.

Neste mês de julho, a previsão da Secretaria é de que a prefeitura receba uma quantidade significativa de doses de vacina, o que permitiria um avanço consistente na luta contra a covid-19.

LEIA TAMBÉM:

>> Curitiba e RMC deve receber 127 mil doses de vacinas; veja distribuição por regional

>> Ao menos 24 variantes do covid-19 já circularam pelo Paraná desde o começo da pandemia

Segundo o epidemiologista da SMS, Diego Spinoza, o número de casos e de óbitos por covid-19 não deve cair repentinamente em Curitiba. Seria improvável, por exemplo, sair da atual média móvel de 22 óbitos por dia para dois ou três por dia. Nem da média móvel de 796 novos casos por dia na capital diminuiria repentinamente. No entanto, Spinoza explica que já houve queda de óbitos nas faixas etárias de idosos com 80 anos ou mais, vacinados com a segunda dose.

De acordo com a análise dos números feita por ele, em 2020, os idosos acima dos 90 anos representavam cerca de 6,8% dos óbitos por coronavírus em Curitiba. Já os de 80 a 89 anos representavam cerca de 21,7%. Em 2021, de 1º de janeiro até o dia 20 de junho, a taxa de óbitos de idosos com 90 anos caiu para 3%. No grupo de 80 a 89 anos, no mesmo período, a taxa agora é de 12,7%. “Ainda não foi verificada uma queda significativa nos outros grupos. Lá no início da campanha de vacinação, nosso objetivo era atingir os grupos prioritários para evitar um colapso do sistema de saúde. Essa etapa foi vencida”, explicou Spinoza.

Em julho, conforme cronograma da prefeitura, o grupo acima dos 60 anos deve começar a receber a segunda dose da vacina. Outros grupos prioritários, não só por idade, mas com comorbidades outros grupos prioritários também. “O objetivo atual é diminuir a circulação do vírus. Estamos na fase de fazer isso com a vacina, ou seja, buscando chegar com as doses até o grupo de pessoas mais jovens será fundamental.

Mas, além da vacinação, o esforço coletivo para manter as medidas sanitárias deve continuar. “Usar máscara, álcool em gel, lavar as mãos e manter o distanciamento“, reforça o epidemiologista, destacando que, além desses cuidados, será preciso vacinar cerca de 80% das pessoas acima dos 18 anos para uma queda significativa nos números. “O ideal é termos todos vacinados. É o melhor cenário para caírem os números de casos e de óbitos”, projeta.

Setembro, segundo a SMS, é o mês chave para a queda significativa nos números começar a ser percebida. É quando a prefeitura espera chegar com a primeira dose da vacina até o grupo dos maiores de 18 anos. “Pelo cronograma de distribuição de doses, esse objetivo está mantido. Mas sabemos que há um passo a passo que não depende só da prefeitura, mas da organização nacional como um todo”, finaliza Spinoza. 

Números da covid-19 em Curitiba

De acordo com o vacinômetro de Curitiba, disponível na página da internet Curitiba Contra o Coronavírus, até o dia 1º de julho, mais de 1 milhão de doses de vacina foram aplicadas na capital, sendo 772.226 primeiras doses e 240.963 segundas doses. Considerando que Curitiba tem cerca de 2 milhões de habitantes, significa que pouco mais de 36% da população está vacinada com a primeira dose e cerca de 12% com a segunda.

Nesta quinta-feira (1º), os grupos que receberam a primeira dose da vacina foram as pessoas com 47 anos completos no segundo semestre deste anos e pessoas com 46 anos completos ou mais. Também estavam tomando a primeira dose os motoristas e cobradores do transporte de Curitiba, a população em situação de rua e os profissionais ferroviários com agendamento pelo aplicativo. Já com a segunda dose, estavam sendo vacinados os profissionais de saúde com agendamento pelo aplicativo.