O jornalista Fernando Parracho, 59 anos, anunciou na quinta-feira (3), que vai deixar o jornalismo diário da emissora para s ne dedicar a um novo projeto de vida. A nova casa do âncora da RPC, afiliada da TV Globo, está localizada em Tijucas do Sul, na região metropolitana de Curitiba. Um pequeno pedaço de terra vai ganhar a atenção e 100% de dedicação deste gaúcho que chegou ao Paraná em 2003, e deixa um pouco de lado as notícias para plantar alimentos orgânicos.

Aos fãs do jornalista uma boa notícia, um livro vai contar histórias de um profissional correto, amigo e que quase perdeu a vida em prol da informação.

A conversa com a Tribuna do Paraná foi do estilo Parracho de ser. Calma, serena e com muitas risadas ao projetar o futuro como homem da terra, desafios longe da televisão e até lembranças de momentos tensos como a queda de um helicóptero em Roraima, tiroteio em uma comunidade no Rio de Janeiro e ameaças de morte. “Fazia muita reportagem sobre conflitos de terra e sofri duas ameaças reais de morte e tive até de mudar de lugar. Eu colecionei muitas histórias pesadas, mas que só aumentaram a minha vontade em continuar”, revela.

Tribuna – Uma carreira de sucesso e com uma história linda no Jornalismo. Aí vem o anúncio nas redes sociais e uma despedida emocionante na RPC, sua casa por quase 18 anos. O que o Parracho vai fazer a partir desta segunda-feira (07)?

Fernando Parracho: Eu estou encerrando a minha participação no jornalismo diário, pois estou bem cansado e isto aumentou em virtude da pandemia. O desgaste vem de muitos anos e a gente que ama esta profissão vai empurrando isto um pouco com barriga. No entanto, chegou um momento que não eu consegui mais me convencer de que eu estava precisando dar uma pausa. Venho de muitos anos pensando em estar mais ligado à terra, a natureza e comecei a criar esta situação para que eu conseguisse fazer esta transição.  

Tribuna – E como surgiu esta situação? É algo antigo este desejo de ficar mais próximo da natureza?

Fernando Parracho – É um projeto antigo. Quando tinha 20 e poucos anos, eu comprei uma pequena área de terra com meu pai lá no Rio Grande do Sul (RS) e iniciamos um projeto rural de plantio. Deu muito certo e foi muito bacana, mas em um certo momento foi preciso vender a área. Digo que aquele sonho ficou no meu interior e fui percebendo que aquilo estava vivo dentro de mim. Eu me sinto muito bem próximo da natureza e encontramos um pedacinho de chão em Tijucas de Sul.

Tribuna – A ideia é transformar o terreno em uma grande plantação e ganhar dinheiro com isto?

Fernando Parracho – Não, pois o terreno é pequeno mesmo e não tenho intenção de grandes produções ou ganhar muito dinheiro com a terra. Nossa ideia é estabelecer uma pequena produção de alimentos orgânicos e talvez criar alguns bichos. Tenho assistido muitos cursos para conseguir ter o conhecimento e conversando com pessoas que estão já fazendo esta transição. Acredito que muita gente está querendo trocar a cidade pelo campo por diferentes objetivos.

Tribuna – Não daria para você conciliar a televisão com este projeto na terra?

Fernando Parracho – Infelizmente ficaria complicado por vários aspectos seja pela segurança de ir e vir em estradas. A distância da minha casa até o terreno é de 75 km e o nosso horário não permite muita mobilidade. A dedicação no Jornalismo é de 100% e a decisão foi muito bem pensada com a família.

Tribuna – O Meio Dia Paraná está apresentando os melhores índices de audiência dos últimos anos. Isto também ajudou na decisão de deixar a emissora em um momento positivo?

Fernando Parracho – A nossa audiência está fantástica e até a direção da emissora questionou isto. Eu ficaria desconfortável se eu deixasse a equipe em um momento ruim, mas é melhor deixar o time com vitórias. Na quinta-feira (4), tivemos uma média de audiência três vezes a mais que a soma dos dois principais concorrentes.

Tribuna – Vai sentir falta do jornalismo diário? Já chegou a sonhar com isto?

Fernando Parracho – Claro que vou sentir falta e tenho certeza que irei acordar na madrugada pensando que preciso ir para a televisão para não perder o horário. Isto é muito colado na gente e tem a parceria com os amigos, né? Terei que me acostumar com esta nova realidade, mas estou muito bem. Uma amiga até comentou que estou apaixonado por esta nova fase e quero transmitir para as pessoas sobre esta mudança de vida. Muitas pessoas estão pensando ou alimentam este desejo e com a minha experiência na comunicação posso até auxiliar em palestras ou mesmo nas redes sociais.

Tribuna – Isto leva a crer que poderemos ter o Parracho mais ativo nas redes ou até um livro sobre a sua carreira?

Fernando Parracho – Sem dúvida, tenho até um blog que está bem esquecido e agora vou ter tempo de ser mais ativo. Tenho um projeto para contar as coisas da minha trajetória para o público e nunca conseguir avançar nisto. Gosto de escrever e quero ter um lugar tranquilo para passar isto para uma tela de computador. Tenho vários roteiros na minha cabeça. A gente nunca deixa de ser jornalista.

Tribuna – A carreira contou com episódios marcantes em grandes coberturas. Teve até a queda de um helicóptero em 1998, em Roraima? (a equipe do programa Globo Ecologia e o ator Danton Mello estavam em um helicóptero que apresentou problemas na região do monte Roraima. O cinegrafista Ricardo Cardoso morreu na queda da aeronave).  

Fernando Parracho – Ali ganhei uma nova chance de viver e saímos de lá como se tivemos uma prorrogação de vida. Na minha carreira sobrevivi a queda de helicóptero, tiroteio em uma favela do Rio de Janeiro e duas ameaças reais de morte. Fazia muitas reportagens sobre conflitos de terra e fizeram que eu mudasse de lugar. Agressões verbais ou físicas e colecionei histórias pesadas, mas que só aumentaram a vontade de continuar.