A partir do fim deste mês pode ser que o Suíte Vollard, mais conhecido como “prédio que gira” –  no bairro Mossunguê, em Curitiba – deixe de ser apenas referência e vire, finalmente, residência. Passados 14 anos da inauguração, o prédio passará por leilão judicial quando nove apartamentos serão colocados à venda e, caso arrematados, serão habitados pela primeira vez. Apenas a cobertura não será vendida. O leilão ocorre na manhã desta quarta-feira (06)

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Determinada pela 19ª Vara Federal de Curitiba, a medida veio com o objetivo de sanar o imbróglio fiscal do edifício. Com isso, quem sempre sonhou em morar no curioso empreendimento, agora vai ter essa chance pagando um preço bem menos salgado. Com editais lançados no dia 29 de maio, a primeira hasta do leilão acontece hoje e é aberto ao público, que poderá fazer os lances presencialmente na sede do leiloeiro (Rua Jacarezinho, 1257 – Mercês) ou online.

13-03-2018 O prédio giratório do Mossunguê.Prédio que gira.

Os valores iniciais, tabelados de acordo com o preço de avaliação, variam conforme o apartamento. Para o primeiro andar, que já está pronto para morar, o valor inicial é de R$ 730 mil. Já para os demais, o preço é R$ 630 mil. Praticamente uma bagatela em comparação aos valores de lançamento, que giravam em torno dos R$ 2,3 milhões.

Caso as vendas não aconteçam na primeira hasta, uma segunda rodada acontece no dia 13, dessa vez com preços ainda menores, equivalentes a 60% dos valores iniciais (R$ 440 mil para o apartamento mobiliado e R$ 227 mil para os demais). Ao fim da segunda hasta, caso ainda haja apartamentos disponíveis, nova rodada acontece no dia 20, sob os mesmos parâmetros, ou seja, com preços equivalentes a 60% dos cobrados na segunda etapa.

Felipe Rosa / Tribuna do Paraná
Arquivo / Tribuna do Paraná

“É vantajoso porque quem adquire o imóvel por meio do leilão fica livre de todos os encargos fiscais. Isso sem contar o preço, muito menor do que o valor de mercado”, afirma Plínio Barroso, leiloeiro oficial responsável pelas hastas. Sobre o prazo para morar, ele garante que, em menos de um mês após a compra, já será possível morar no prédio que gira. “Feita a compra, a carta de arrematação – que permite a transferência do imóvel – é entregue ao comprador dentro de 15 dias. Com esse documento em mãos já é possível entrar”, explica.

É importante ressaltar que os valores devem ser pagos à vista, por meio de depósito judicial.

Sobre o Suíte Vollard

Inaugurado em 2004 como um dos empreendimentos mais ousados do mercado imobiliário, o Suíte Vollard nunca foi ocupado por conta de uma série de problema judiciais enfrentados pela Construtora Moro, responsável pelo edifício. Somados a isso, os altos valores de venda espantaram os possíveis compradores na época, já que cada apartamento custava em torno de R$ 2,376 milhões.

Localizado num ponto privilegiado da cidade, o prédio conta com 11 lofts de 270 metros quadrados cada. Cercados por janelas, os apartamentos oferecem vista 360° da cidade e trazem a vantagem de receberem luz do sol a qualquer hora do dia. Não foram essas características, no entanto, que mais chamaram a atenção do público no lançamento do Suíte Vollard, mas sim, o mecanismo que permite a cada um dos lofts girarem independentemente no sentido horário ou anti-horário, conforme a preferência do morador.

Inabitado, o edifício acabou virando apenas ponto de referência e entrando para o imaginário popular quase como lenda urbana. Sem ninguém pra comprovar o fato, a dúvida era: “gira ou não gira?”. Em março, a Tribuna do Paraná esteve no prédio e confirmou: ele gira sim! Tudo graças a um sistema de motores instalados na parte externa dos lofts, que, quando em funcionamento, acionam um mecanismo de rodas dentadas, fazendo com que os apartamentos girem independentemente.

Ficou interessado? Confira os editais aqui.

Mais informações: (41) 3029-8555.

A Tribuna do Paraná entrou em contato com Ademir Moro, diretor da empresa executada e responsável pela construção do Suíte Vollard. Ele afirmou que a construtora ingressou com medida judicial junto à 19ª Vara Federal de Curitiba, solicitando o cancelamento do leilão por conta de erros nos valores de avaliação. Moro afirmou que as dívidas relativas ao prédio que gira deverão ser negociadas diretamente junto à Receita Federal.