Para quem está pensando em comprar ou trocar de carro em 2021, mas está achando o preço de automóveis zero quilômetro alto demais, uma boa dica é começar a pensar em um veículo seminovo pra não comprometer tanto a renda com um veículo zero. Além disso, para quem está vendendo um veículo já rodado também pode ser beneficiado, pois tem comerciante pagando um valor superior à Tabela Fipe, considerada o principal índice para a negociação de carros no país.

Uma das explicações para a alta na venda de carros seminovos ou usados pode ser atribuída à falta de peças e componentes no setor automotivo. Um carro mais moderno chega e ter 600 semicondutores (chips). No início da pandemia, as montadoras suspenderam as encomendas porque andar de carro zero não era prioridade. Esses componentes foram parar nas fábricas de computadores e celulares, que estavam em alta com o avanço do home office. Mas aí, quando o consumidor voltou para as concessionárias, a indústria automobilística teve que ir para o fim da fila esperar pela sua vez de comprar semicondutores que são responsáveis pelo sistema de segurança, motor, câmbio, entre outros componentes do veículo. Além disso, a variação do preço sofre impacto do dólar devido à importação.

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Outro ponto determinante em um meio de transporte já rodado tem relação com a pandemia da covid-19. Várias pessoas estão com receio de ficar circulando em ônibus do transporte coletivo e a opção do veículo próprio auxilia na segurança. Fora que proporciona alternativa de trabalho como motorista de aplicativo de carona para quem perdeu emprego ou deseja reforçar a renda mensal. Ainda na questão econômica, é a facilidade no financiamento. Muitas ofertas de crédito no mercado que se pode até parcelar 100% do valor do carro.

Bruno, dono de uma revenda de carros no bairro Bigorrilho, em Curitiba, percebeu a melhora no negócio em 15% comparado a 2020. Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná.

Bruno Mendes Gonçalves, 28 anos, proprietário da Strick Veículos, revenda de carros no bairro Bigorrilho, em Curitiba, percebeu a melhora no negócio em 15% comparado a 2020. “Nós estamos percebendo uma alta na procura pelo seminovo em 15% para quem deseja fazer negócio. Muitas pessoas estão trabalhando como motoristas de aplicativo ou mesmo de maneira autônoma. O interesse gira mais em carros populares como o Chevrolet Ônix, Celta, Siena e o Palio que estão custando até R$35 mil. Outra coisa que notamos que não está existindo muita depreciação do valor do carro na hora da venda”, disse Bruno.  

Altair Muller Junior, 42 anos, pintor automotivo, aproveitou a situação para trocar de carro. Tinha um Citroën Picasso e pegou um Chevrolet Cruze Sedan. “ Dei de entrada um outro veículo que estava fora de linha e peguei um melhor para a família. Aproveitei o momento apesar da crise. Estou satisfeito com a negociação, pois um novo está além do bolso”, comentou Altair.

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Dicas na hora da compra

Na hora de comprar um usado, a dúvida fica quanto a possíveis problemas no veículo. Sendo assim, o ideal é ideal é buscar um carro com menos de cinco anos de uso. Ilídio Gonçalves dos Santos, presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), reforça que na maioria dos casos, o carro pode estar na garantia da montadora em caso de defeito.

“A maioria das montadoras dá cinco anos de garantia, por isso, se o consumidor compra um usado com dois a três anos de uso, é bom porque ainda usufrui desse benefício. Aconselho que o comprador busque sempre uma loja legalmente estabelecida, que é obrigada a oferecer uma garantia de 90 dias, além de certidão negativa de multa e laudo de vistoria do veículo. Ao comprar diretamente com o proprietário, o preço será mais baixo, mas o cliente terá menos segurança na operação”, salientou o presidente da Fenauto.