Um golpe de estelionato aplicado pelas redes sociais trouxe dor de cabeça e prejuízo para quem está tentando fazer uma renda extra revendendo roupas na pandemia do coronavírus.

Segundo as vítimas, golpistas estão seguindo os perfis sociais de revendedores pessoa física para oferecer lotes de mercadorias que nunca são entregues. Quem caiuno golpe revela que a tática já fez vítimas em vários estados, incluindo o Paraná. Pelo menos duas pessoas de Curitiba e Litoral tiveram prejuízo entre R$ 700 e R$ 1,7 mil. A Polícia Civil alerta que os estelionatos pela internet aumentaram com as pessoas ficando dentro de casa por causa do isolamento social.

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Uma das vítimas do golpe que prefere não se identificar é uma mulher de 30 anos do bairro Bigorrilho, na capital, que buscava uma renda extra para a família. Estimulada pelas ideias criativas, a vítima resolveu usar o Instagram para divulgar fotos de peças de roupas que estava vendendo.

“Foi como os golpistas me acharam. Uma das postagens foi curtida por um perfil com peças muito bacanas. Quando eu vi, já tinha trocado mensagens e eles me ofereceram um lote”, conta a mulher, que fez a compra mediante depósito de R$ 700 no dia 15 de junho. “A mercadoria nunca chegou e eu fui bloqueada no perfil do Instagram dos golpistas. Fiz o boletim de ocorrência pela Delegacia Eletrônica, mas não sei se vou recuperar o prejuízo. Foi logo na minha primeira compra”, conta a vítima.

Um casal de Guaratuba, no Litoral do Paraná, também foi vítima do perfil. “É um perfil de Instagram privado. Você pede para seguir e começa a negociar. São peças bonitas, com preços dentro do mercado. O perfil tem mais de 5 mil seguidores. Você não desconfia, acha que é sério”, contaram.

Eles registraram boletim de ocorrência e também preferem não se identificar. O valor depositado por eles foi de R$ 1,7 mil, em uma conta de um banco digital. A mercadoria nunca chegou e o tipo de abordagem foi a mesma usada com a mulher do Bigorrilho. O casal também iria começar o negócio por causa da pandemia para tentar incrementar a renda.

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Foi esse casal que fez a denúncia para a Tribuna. O marido e a esposa contaram que as vítimas criaram um grupo online para trocar informações sobre o golpe e orientar quem caiu para fazer queixa na polícia. O objetivo é identificar os suspeitos de cometer estelionato. “O que temos são os prints dos perfis de Instagram e os comprovantes de depósito para contas do estado de São Paulo. Temos também fotos que foram compartilhadas e temos a esperança de recuperar o dinheiro”, disseram.

No grupo criado no Whatsapp além da história das vítimas de Guaratuba e Curitiba, há relatos de vítimas de Canoas (RS), Mairinque (SP) e Itajubá (MG). Todas mencionam a mesma forma de agir dos golpistas. Há também menção a envios de rastreios falsos de encomendas postadas. “Com todas as informações, esperamos que a polícia possa chegar até os criminosos”, espera o casal.

Estelionatos na pandemia

O delegado Emmanuel David, da Delegacia de Estelionatos de Curitiba, explica que os golpes pela internet têm dado um salto durante a pandemia de coronavírus. “Os estelionatários se adaptam porque o contato direto com a vítima está mais difícil”, destaca David. O policial revela que golpes que andavam sumidos como o do “primo que vem do interior” e o do “sequestro relâmpago” voltaram a crescer em Curitiba. “São golpes praticados pelo telefone. Mas há também o envio de links para roubar dados do WhatsApp”, frisou. Outro grupo que ressurgiu é o do bilhete premiado, no qual duas famílias tiveram prejuízo de R$ 30 mil nessa semana.

Ainda de acordo com delegado, no caso específico do golpe da venda falsa de roupas, os boletins de ocorrência são investigados no local de origem do crime. No caso, no estado de São Paulo. “Mas as vítimas podem e devem registrar a ocorrência na Delegacia Eletrônica. Lá tem um espaço específico para crimes de estelionatos”, destaca. No Paraná, o site da delegacia fica no endereço – http://www.policiacivil.pr.gov.br/BO.

Para evitar cair nos golpes, de acordo com o delegado, a melhor forma é permanecer dentro das plataformas de compras, evitando trocar telefones para finalizar as negociações. “Dentro das plataformas, a pessoa tem mais garantia de ser ressarcida em caso de produtos que não existem ou não são entregues. Mercado Livre, por exemplo, tem um seguro”, explica David. “Instagram, Facebook, WhatsApp… Não são plataformas específicas para compras”, apontou.

Outra postura fundamental indicada pela polícia, tanto para vendedor quando para comprador, é não clicar em links desconhecidos. Também desconfiar de preços muito baixos. “E buscar a reputação das empresas em sites como o Reclame Aqui. Buscar saber se mais pessoas negociaram com determinada empresa e, quando a empresa diz ter endereço físico, tentar saber se existe mesmo”, concluiu o delegado.


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