Foi em 1975 que o bairro Hauer, em Curitiba, trocou oficialmente de nome e deixou de ser, no papel, chamado de “Vila Hauer”. A história conta que a denominação de vila foi feita em homenagem à família de Robert Hauer, que era dona da fazenda de 500 alqueires que, depois, foi partilhada e loteada pelos filhos na década de 1940 para se tornar a conhecida Vila. Na prática, até hoje ainda há quem chame o bairro pelo nome original.

Segundo os dados mais recentes do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o Hauer tem cerca de 13 mil habitantes. A região faz divisa com o Boqueirão, Uberaba, Guabirotuba, Prado Velho, Parolin, Fanny e Xaxim.

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O bairro é movimentado, tem um fluxo de trânsito intenso por ser cortado pela Avenida Marechal Floriano Peixoto, via que leva às rodovias de saída da capital e, também, liga o Centro da cidade ao município metropolitano de São José dos Pinhais (SJP). Muitos motoristas, aliás, costumam traçar o caminho até o Aeroporto Internacional Afonso Pena por ali, quando a Avenida Comendador Franco – que também leva ao aeroporto – dá sinais de trânsito lento.

Pela proximidade entre bairros, o conselho de segurança atuante é o Conseg Hauer Boqueirão. A união se deu porque o Conseg Boqueirão chegou a ficar um tempo inativo. Atualmente, Hauer e Boqueirão se unificaram para formar um único Conseg e formalizar a atuação que já vinha sendo feita entre os bairros.

Só o Boqueirão tem cerca de 77 mil habitantes. Assim como o Hauer, o lugar era uma fazenda que foi loteada, mas era o dobro do tamanho da fazenda do bairro vizinho. Atualmente, o giro da economia do Boqueirão – considerado quase que uma cidade dentro de outra cidade – é a concentração de comércios de automóveis e do famoso polo têxtil.

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Os dois bairros, Hauer e Boqueirão, também enfrentam problemas de segurança semelhantes. Segundo o presidente Rodrigo Vidal, 46 anos, técnico judiciário que está há sete anos no conseg, a região tem todos os problemas relacionados à segurança pública, comuns aos outros bairros, mas o que pega mesmo são os arrombamentos de residências e comércios, pequenos furtos nos quintais das casas (na madrugada), furtos de fiação elétrica, de hidrômetros, medidores de energia elétrica e tudo que possa ser vendido como sucata.

“Moro há 14 anos no bairro. Desde que cheguei aqui, ele tem o mesmo jeito, um lugar de muito comércio, movimentado, que teve melhorias na mobilidade urbana, nas construções mais contemporâneas. Na questão de segurança pública, a criminalidade cresceu, assim como cresceu por todo o Paraná. Por outro lado, o número de policiais não cresce na mesma proporção. Sabemos disso. E sabemos que temos que enfrentar juntos todos esses problemas apontados”, disse o presidente.

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Ainda conforme Vidal, os furtos frequentes têm relação com o tamanho dos dois bairros, e por eles serem ponto de passagem para diversas saídas da cidade. Mas ele aponta algumas áreas críticas ali dentro mesmo. Locais onde se concentra a população menos favorecida economicamente, com histórico de problemas de segurança pública.

“Temos a vizinhança com o Parolin, com muitos usuários de drogas transitando de lá para cá. Mas também temos dois locais críticos aqui dentro, como a chamada ‘Rocinha do Boqueirão‘, uma área particular que foi invadida a muito tempo e se tornou parte do bairro, e o assentamento chamado ‘Meia Lua‘, onde moram a maioria das famílias de bem, mas onde se concentra boa parte do histórico de criminalidade”, explica Vidal.

Para ajudar a melhorar a situação, o Conseg Hauer Boqueirão aposta na comunicação, no contato mais próximo entre vizinhos e as autoridades. De acordo com a definição sobre o conselho da região, divulgada pelo próprio material de publicidade do Conseg Hauer Boqueirão, o grupo não é um balcão de reclamações, mas fará o possível para ajudar a melhorar os dois bairros no quesito segurança pública. E também nas áreas da mobilidade urbana, acessibilidade e demais ações que possam contar com as autoridades competentes. 

Uma das armas para manter essa comunicação são os grupos de aplicativos de mensagens. De lá, partem soluções para várias situações. “São histórias que vão desde uma carteira recuperada com dinheiro dentro, até o achado de pets desaparecidos e de cartões de crédito, transporte e documentos. Mas teve um caso mais grave, onde os membros das redes sociais do Conseg se mobilizaram para recuperar um carro roubado. Eu postei a mensagem com a informação do carro e, de imediato, um vizinho motorista de aplicativo viu os criminosos passando na frente dele. O local foi informado para a Polícia Militar e o carro foi recuperado rapidamente”, contou Vidal.

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Para ele, são essas ações coletivas, de interesse em melhorar o local em que se vive, do cuidado com o vizinho, que o motivam a fazer parte do Conseg. Vidal nunca tinha ouvido falar no conselho comunitário, até que um vizinho o levou para uma reunião. “Até por isso, hoje a minha luta é para que as pessoas saibam o que o conselho de segurança pode fazer pela vizinhança. A ideia de tentar melhorar um pouquinho o bairro onde eu moro, melhorar a qualidade de vida, é um fator motivador. Ajudar a fazer com que as pessoas previnam os problemas antes que eles aconteçam”, finaliza o presidente.

Ações propostas pelo Conseg Hauer Boqueirão

  • Novo cadastro de grupos de Alerta (WhatsApp), Vizinho Solidário 2.0 e Câmeras nos Bairros
  • Ações e projetos com as polícias 
  • Mobilidade Urbana – Projetos segmentados para Segurança Viária 
  • Acessibilidade 
  • Lives e palestras
  • Conseg nas Praças 
  • Muralha Digital (PMC) e Olho Vivo (Governo) 
  • Bazares com produtos apreendidos 
  • Projetos com Consegs Vizinhos 
  • Mapa do Crime (Dados Oficiais PM e GM) 
  • Resgate e Cidadania 
  • Plantação de árvores
  • Ocupar Espaços Públicos
  • Amigos dos Rios
  • Mídias Sociais Conseg 

Onde achar o Conseg?

Caso queira ir em um Conseg próximo de casa para ser voluntário ou mesmo para fazer uma reclamação ou pedido, procure no site da Ceconseg o conselho mais perto da sua região, ou entre em contato via e-mail ( conseg@sesp.pr.gov.br) e telefone  (41) 3299-7928.

Nas próximas reportagens, você vai saber mais detalhes sobre os problemas de cada região e como os presidentes dos conselhos estão trabalhando para revolver cada um deles. Fique de olho aqui na Tribuna!

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