Desde que a Urbs mudou o horário de atendimento para somente de tarde, quem procura os serviços da empresa municipal que gerencia o transporte público de Curitiba na Rua da Cidadania Matriz, no Centro, enfrenta grandes filas e aguardam mais de uma hora pelo atendimento. O problema, segundo a Urbs, tem sido registrado diariamente entre 12h30 e 15h30. Mas poderia ser evitado se os usuários procurassem outras Ruas da Cidadania da capital ou chegassem à unidade após as 16h.

Na tarde de terça-feira (24), por exemplo, a técnica da Copel aposentada Cleonice Buchmann, de 61 anos, entrou na fila às 12h para renovar os cartões-transporte de seus pais. “Cheguei antes porque queria finalizar isso logo, já que eles têm dificuldade de locomoção e estão bem doentes. Só que a fila para retirar a senha já estava dando três voltas lá fora”, disse. Por isso, seus pais ficaram sentados na calçada enquanto ela aguardava, em pé. “Peguei a senha um pouco depois das 12h30, quando o local abriu, e começamos a esperar nos chamarem”, disse Cleonice, que recebeu atendimento às 13h30.

O engenheiro civil Marcos Moisés, de 47 anos, também chegou à Urbs no horário de almoço e ficou preocupado com o tempo de atendimento. “Não achei que teria tanta gente. Eu trabalho aqui no Centro e só tenho esse horário para fazer meu cartão-transporte. Espero que dê tempo”, disse, enquanto aguardava na fila para retirar uma senha.

De acordo com Ivan Frotte, coordenador da unidade de cadastramento da Urbs, a superlotação entre 12h30 e 14h30 acontece porque os usuários procuram a unidade principalmente nessa faixa horária. “Só que a maioria das pessoas atendidas são idosos, que não têm expediente para cumprir e poderiam vir em outro horário”, enfatiza.

Além disso, o representante da Urbs explica que muitos usuários moram em bairros de Curitiba que já oferecem postos de atendimento da Urbs, onde o atendimento é rápido e a procura é baixa. “Mas, ao invés de procurarem as Ruas da Cidadania de sua região, eles vêm à unidade do Centro”, ressalta Frotte.

É o caso da vendedora aposentada Dialeda de Oliveira, de 69 anos, que realizou uma consulta médica perto da Praça Rui Barbosa e aproveitou para passar na Urbs. “Como eu estava aqui na região, decidi renovar meu cartão de transporte”, contou, enquanto aguardava atendimento. “Peguei a senha de idoso e já estou esperando mais de 40 minutos”, disse a moradora de Pinhais, município da região metropolitana de Curitiba.

Ao chegar na unidade, Dialeda foi abordada pelo técnico administrativo José Alberto Santos, que pergunta aos usuários o bairro em que eles moram e os orienta a procurar a unidade mais próxima de sua residência para evitar a longa espera. “No caso dessa senhora, ela poderia sair de Pinhais e ir de biarticulado até a Rua da Cidadania do Cajuru. O ônibus a deixaria bem na frente e ela aguardaria apenas seis minutos para ser atendida”, afirmou. No entanto, Dialeda preferiu realizar a renovação do cartão no Centro e recebeu uma senha para isso.

Já a estudante Letícia Mussa, de 22 anos, optou por voltar para casa e procurar uma Rua da Cidadania mais tranquila para solicitar seu cartão transporte. “Tenho até o fim da semana para fazer isso, então vou rapidinho em outro posto”, afirmou a moradora do bairro Jardim das Américas.

Senhas

Uma opção para quem não quem vai ao Centro fazer alguma coisa e não quer voltar para casa para ser atendido na Urbs da Matriz é só retirar a senha a partir das 16h. De acordo com Santos, nesse horário o local já começa a esvaziar e não há perigo de ficar sem atendimento. “Quem chega aqui até 18h30 recebe uma senha, mas a orientação é chegar, pelo menos, cinco minutos antes do fechamento”, aconselha.

Também está em estudo um sistema de agendamento online para que o usuário reserve seu horário pela internet e evite a demora pelo atendimento em momentos de pico como o horário de almoço. O programa está em desenvolvimento, mas ainda não tem data para lançamento.

Mudança de horário

Segundo a Urbs, a mudança de horário nos postos de atendimento – que antes atendia das 8h às 14h – faz parte de uma série de medidas adotadas para recuperação financeira da empresa. Até o fim deste ano, por exemplo, a expectativa é de que as ações gerem economia de R$ 555 mil.

Apenas no primeiro semestre, a redução de custos administrativos foi de R$ 351,2 mil. Nesse período, o consumo de energia elétrica caiu 15% e também foram reduzidas despesas de água, combustível, locação de veículos e até mesmo com a compra de café e açúcar.

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