Permeado por lagos e cortado pelo Rio Barigui, as pontes do Parque Tingui, no bairro Vista Alegre, preocupam pedestres e motoristas. Buracos, madeiras soltas e desgastadas escancaram a falta de manutenção do parque, um dos principais pontos turísticos de Curitiba, onde fica o Memorial Ucraniano. A linha de ônibus Turismo, inclusive, é um dos veículos que passam por uma dessas pontes que cruzam o Rio Barigui, na Rua Professor Dário Garcia.

Morador da região há mais de 40 anos, o empresário João Francisco de Souza é frequentador do parque e conta que já desistiu de pedir reparos à prefeitura. Ele afirma que ligou diversas vezes ao telefone 156, mas acabou frustrado pela falta de ação do município. “Nem sei quantas vezes já liguei e me disseram que que iam verificar minha reclamação. As pontes estão praticamente sem condições de circulação. Não só de carros, mas também de pedestres. Os compensados colocados para esconder os defeitos do piso estão soltos, os pregos estão aparecendo. Está perigoso”, enfatiza.

O morador reclama do desprezo que vê no Tingui em detrimento aos cuidados com o Parque Barigui. De acordo com Souza, a atenção dada ao Tingui não chega nem próxima à dispendida a seu vizinho mais famoso. “Você vê muita coisa do Barigui: polícia, cuidados, reformas e o Tingui parece esquecido”, sentencia. No começo de outubro, reportagem da Gazeta do Povo mostrou a falta de policiamento no Tingui: além de assaltos a frequentadores, é comum furtos em veículos estacionados. “Depois de muito insistir, cheguei a seguinte filosofia: salve-se quem puder. É assim que funciona aqui no Parque Tingui”, lamenta.

O consultor Jean Carlos Alício é outro frequentador do parque revoltado com as condições das pontes. Ele costuma levar os dois filhos de 6 e 9 anos para brincar no Tingui. E fica bastante atento para que as crianças não passem pelas pontes. ”Não dá para deixar as crianças passarem. Esse piso solto é um risco para qualquer um, imagina para uma criança. Cair aí é bem fácil”, relata.

O empresário Joaquim Cerqueira oi uma das vítimas da falta de manutenção de umas das pontes do Tingui. Por recomendação médica, o empresário caminha praticamente todos os dias no parque. E em uma dessas caminhadas, há pouco mais de um ano, caiu após tropeçar em uma placa de compensado solta. Cerqueira questiona se existe manutenção nos equipamentos do parque, já que diz só ver equipes indo ao local para cortar a grama. “Depois que caí, liguei na prefeitura para reclamar, mas nunca vi ninguém fazer qualquer reparo na ponte. É difícil caminhar, até porque a gente não sabe como está a coisa embaixo dessas placas que colocaram. Dá medo, vai que quebra”, relata.

Foto: Aniele Nascimento.
Foto: Aniele Nascimento.

Explicações

A ponte de madeira na Rua Professor Dário Garcia é responsabilidade da Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP). Segundo o órgão, a manutenção é feita de maneira constante, pois tem intensa circulação de veículos. A secretaria ainda afirma que neste ano já foram feitas manutenções no tablado da ponte, por onde circulam os veículos, em janeiro, abril e agosto. Ainda assim, após as reclamações, a SMOP diz que vai mandar um fiscal para vistoriar a ponte.

As sete pontes de madeira para travessia de pedestres são de responsabilidade da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), que admite o estado deteriorado, bem como que elas necessitam de limpeza e, algumas, até de reformas. O órgão afirma que na próxima semana vai fazer a troca do piso danificado por compensado naval, espécie de placa de madeira mais robusta e resistente a água. Atualmente , segundo a SMMA, equipes trabalham na reforma das churrasqueiras do Tingui e em até 60 dias as pontes devem começar a receber reparos, limpeza e pintura.