O trânsito de Curitiba pode parar em cinco anos. A projeção foi apresentada pela secretária municipal de trânsito, Luiza Simonetti, em entrevista exclusiva ao Paraná Online. Segundo ela, um estudo mostra que com o atual crescimento da frota de veículos na capital, as ruas vão virar um caos. “É por isso que estamos tomando medidas para tentar coibir ou intimidar a população a não adquirir mais carros e passar a usar outros modais”, diz. No entanto, segundo ela, não se cogita adotar um rodízio de veículos, como em São Paulo.

Luiza também explicou como funciona o contrato com a Consilux, empresa que em 2011 foi alvo de denúncias de pagamento de propina e manipulação de imagens de multas. Além disso, a secretária falou sobre as novidades no transporte público de Curitiba, como a faixa exclusiva para ônibus na Rua XV de Novembro, a Via Calma implementada em toda a extensão da Avenida Sete de Setembro e os radares que registram a velocidade média na Avenida Fredolin Wolf.

Curitiba hoje tem 1,8 habitantes para cada carro, segundo dados do IBGE e do Denatran. A cidade poder parar se seguir aumentando sua frota?

Nós temos um estudo, ainda está em fase preliminar, que aponta que em cinco anos o trânsito da cidade de Curitiba pode se tornar caótico caso a frota de veículos continue crescendo da maneira que está. É por isso que estamos tomando medidas para tentar coibir ou intimidar a população a não adquirir mais carros e passar a usar modais com ônibus, bicicletas e metrô, que será uma realidade daqui a cinco anos. Mas é complicado. Não posso falar pro cidadão que mora lá no Cachoeira não comprar um carro, já que ele sempre andou de ônibus e pode agora andar de carro.

Quais são os planos para o trânsito de Curitiba não se tornar um caos nos próximos anos?

O carro traz as sensações aos motoristas de segurança, conforto e status social. Então não podemos sair falando por aí pra população não comprar mais carros e usar transporte público. É uma relação muito mais profunda. Não posso dizer a esse cidadão que o transporte público é bom e que é pra usar táxi, sendo que o táxi ainda é caro. É um desafio. Nosso desafio é internalizar nos cidadãos que o transporte público gera benefícios pra toda cidade. É um processo de internalização e de educação.

Implementar o rodízio de veículos, assim como faz São Paulo, é uma possibilidade?

Impossível. Está fora de questão. Sem chance.

Quantos radares funcionam em Curitiba? Há projeto para a instalação de mais aparelhos?

Hoje a cidade de Curitiba tem 196 radares, incluindo lombadas eletrônicas e aparelhos que registram avanço no sinal vermelho. Além disso, recebemos por ano 3 mil pedidos para instalação de lombadas e mais 1,5 mil solicitações para a colocação de radares. Não podemos instalar radares ou outros tipos de redutores de velocidade sem mais nem menos. Precisamos seguir uma série de exigências da legislação. Fazemos estudos para verificar o que podemos fazer e que tipo de redutor pode colocar. Não olhamos apenas no Google. Mandamos uma equipe e verificamos o que precisa ser feito.

Gerson Klaina
Secretária explica projetos.

Como funciona o contrato com a Consilux

Os radares funcionam como ferramenta de educação no trânsito?

É complicado avaliar se ele é punitivo ou não. Temos uma média de 25 mil a 30 mil autuações registradas apenas nos radares eletrônicos da nossa cidade,. Ele pune essa parcela da população que não respeita o limite de velocidade, que é uma parcela muito pequena da sociedade. Mas é uma questão do motorista internalizar e saber que aquele avanço de velocidade pode custar uma vida. Mas não ele pensa que vai custar R$ 100, R$ 200 ou R$ 500. O ideal é não ter radar. O ideal é o condutor saber que naquela via há o limite de velocidade. É nisso que a gente tem que trabalhar.

Quanto é arrecadado por ano com as multas feitas por radares eletrônicos?

É difícil precisarmos um número, pois há a interferência dos recursos que o motorista pode entrar. Então, a multa é feita num ano e cobrada no outro. Hoje pra fazer o licenciamento o condutor precisa estra zerado. E aí ele prefere pagar a multa que está ainda em processo de recurso. Então essa conta é muito relativa.

Como anda a relação com a Consilux, que teve seu contrato rompido com a prefeitura em 2011 e renovado em 2013?

Não é segredo pra ninguém os escândalos que ocorreram no passado. Na época, foi retirada toda a operacionalização da Consilux e passada pra própria Setran e assim continua. E hoje a Consilux não tem mais participação de poder para validar ou não validar uma multa. Hoje os dados dos radares vão direto para a Setran. Quando assumimos a gestão, pagavam-se R$ 795 mil por mês à Consilux e hoje pagamos cerca de R$ 464 mil para a realização da manutenção do sistema de radares. Nós fizemos uma avaliação e conseguimos reduzir esse valor em 34%. Estamos num processo de ocupação por força de uma decisão da administração. A licitação que estava em curso por uma contratação de lei foi revogada pela Justiça. As tecnologias usadas pela Consilux, que estavam previstas na licitação, estavam obsoletas, e a pedido do prefeito Gustavo Fruet hoje buscamos novos métodos que procurem otimizar o funcionamento e manutenção do sistema para uma possível próxima licitação.

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